Empresários da ilha Terceira esperam que medidas restritivas sejam aliviadas em breve
Covid-19
26 de jul. de 2021, 14:39
— Carina Barcelos/Lusa/AO Online
“Esperemos que estas
medidas sejam absolutamente transitórias, muito curtas no tempo e que,
como tal, não venham a ter grande impacto na economia local”, afirmou,
em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Comércio de Angra do
Heroísmo, Marcos Couto.Desde março que a
ilha Terceira não tinha transmissão comunitária do novo coronavírus que
provoca a doença Covid-19, detetando apenas casos de infeção nos
rastreios aos viajantes e, em algumas situações, nos seus contactos
próximos.Entre 16 e 22 de julho, a ilha
registou 111 novos casos de infeção e a Autoridade de Saúde Regional dos
Açores reconheceu a existência de transmissão comunitária, colocando os
dois concelhos da ilha no nível de alto risco (o mais elevado de
cinco), aplicado quando são detetados mais de 100 novos casos por 100
mil habitantes num período de sete dias.Há
vários meses em muito baixo risco de transmissão, a Terceira passa a
ter a partir de hoje medidas mais restritivas de contenção da Covid-19,
ainda que o executivo açoriano tenha introduzido algumas alterações nas
medidas previstas para este nível, alargando os horários de
funcionamento da restauração e reduzindo o período de proibição de
circulação na via pública.É nos
estabelecimentos de restauração e bebidas que as medidas terão mais
impacto, com os restaurantes a serem obrigados a encerrar às 23h00 e os
cafés às 20h00, quando até à data podiam funcionar até à meia-noite.Também
a lotação máxima permitida dos espaços sofre uma alteração, baixando de
três quartos para um terço da capacidade, e cada mesa só poderá ter
quatro pessoas, salvo se do mesmo agregado familiar, quando até à data
podia ter 10.Passa a haver ainda uma
proibição de circulação na via pública, entre as 00h00 e as 05h00, salvo
exceções previstas na lei, e os estabelecimentos comerciais têm de
encerrar às 23h00, com exceção de farmácias, clínicas e postos de
abastecimento de combustíveis.O presidente
da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo disse acreditar que a
população da Terceira já começou a adotar comportamentos mais seguros e
que haverá um decréscimo do número de casos, o que permitirá levantar as
medidas mais restritivas em breve, mas considerou que as restrições
existentes são “razoáveis”.“Caso se venha a
verificar o pior dos cenários, que seria um aumento dos casos, julgo
que as medidas adotadas são razoáveis, equilibradas, que permitem que o
turismo e a restauração funcionem, de forma a permitir que quem nos
visita tenha condições mínimas para estar na ilha Terceira e que por via
disso os impactos sejam mais reduzidos”, adiantou.Segundo
Marcos Couto, as alterações introduzidas recentemente nas restrições
horárias dos estabelecimentos nos diferentes níveis de risco “são
reveladoras de algum bom senso da parte do Governo”.“Não
é, nesta fase, fechando tudo de forma indiscriminada que conseguiremos
controlar a pandemia. O controlo da pandemia é acima de tudo uma questão
social, de comportamentos individuais, que se os cumprirmos conseguimos
minimizar os danos desta pandemia”, frisou.Questionado
sobre o impacto destas medidas no turismo, o presidente da associação
empresarial disse que, mais do que as restrições locais, são as
“restrições dos principais mercados emissores” que afetam o setor.“O
grande impacto que houve no turismo regional foi quando a Alemanha
decidiu colocar Portugal na lista vermelha e vimos a debandada dos
turistas alemães de regresso a casa ou quando Inglaterra decidiu fechar
portas e vimos esse mesmo regresso”, explicou.Gilberto
Jarroca, proprietário de vários restaurantes em Angra do Heroísmo,
também espera que as novas restrições durem pouco tempo, ainda que
admita algum receio de que a situação piore.“A
gente na Terceira deu provas de que é capaz de acatar as orientações e
fazer por melhorar a situação. Estou em crer que desta vez vai ser
igual, que a situação se vai ultrapassar e que em breve voltaremos à
quase normalidade. Espero eu”, avançou.O
empresário revelou ter já reservas de eventos, como casamentos,
batizados e aniversários, canceladas e admitiu que as medidas venham a
ter um impacto significativo, não tanto pela redução do horário, uma vez
que encerra às 22h00, mas pela redução da capacidade de ocupação.“Além
de a ocupação por mesa ser reduzida, há uma limitação da capacidade
máxima do estabelecimento. É um bocado penalizador”, frisou.Já
Zita Cota, proprietária de um café, integrado numa queijaria
tradicional, lamenta o tratamento diferenciado para estes
estabelecimentos, que ao contrário dos restaurantes são obrigados a
encerrar às 20h00.“Estão sempre a
massacrar os mesmos. Já tivemos de estar fechados. Sempre que há
reduções somos nós que temos reduções”, salientou.Com
os novos horários, os clientes que costumavam sair para tomar café
depois do jantar deixam de frequentar o espaço e a empresária prevê uma
“quebra muito grande de faturação”, sobretudo numa altura em que se
começa a sentir uma retoma do turismo.“Desde
o mês de julho que temos tido muito turismo cá. Não os grupos grandes
como antigamente, com autocarros de 40 pessoas, mas muitas famílias”,
revelou, acrescentando que, apesar do aumento de casos de infeção, os
turistas continuam a sentir-se “à vontade e seguros” na Terceira.Zita
Cota disse esperar que as novas restrições não se prolonguem por mais
de 15 dias e defendeu que os cafés são espaços seguros.“As
pessoas estão na sua mesa e quando vão ao balcão pedir usam máscara.
Quando vão para as mesas estão só com o seu grupo, não há muito contacto
dos grupos uns com os outros, por isso não acho que seja a área de mais
risco”, apontou.