Empresários alertam para redução significativa de lugares aéreos nos Açores
Hoje 10:14
— Lusa/AO Online
Segundo a direção da associação
empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria, a oferta de lugares
aéreos para os Açores vai ter "uma redução global de -11,57%,
correspondente a menos 130 mil lugares face ao período homólogo de 2025,
nas cinco ‘gateways’ dos Açores", com o maior impacto a registar-se em
Ponta Delgada, que "perde mais de 110 mil lugares aéreos".Em
comunicado de imprensa, a CCIPD adianta que analisou a evolução da
oferta de lugares aéreos para os Açores no verão de 2026, com base nos
dados disponibilizados no portal da Visitazores.A
Câmara do Comércio aponta que o cenário é particularmente preocupante
no aeroporto João Paulo II, principal porta de entrada da região, que
regista "uma redução de -13,22%, passando de 851.907 para 739.252
lugares, o que representa uma perda superior a 110 mil lugares aéreos
num único período de verão".Para a CCIPD,
“esta contração reflete uma alteração estrutural relevante no mercado
aéreo regional, sendo particularmente preocupante o impacto verificado
no principal ‘gateway’ da região — o aeroporto João Paulo II, em Ponta
Delgada", na ilha de São Miguel."Esta
diminuição não só é a mais expressiva entre os aeroportos açorianos,
como não está a ser compensada por outras companhias aéreas,
traduzindo-se numa efetiva redução da acessibilidade aérea ao principal
destino turístico da região", assinala.A
associação empresarial aponta que esta redução da acessibilidade aérea
ocorre “em contraciclo com o contexto que se verifica em Portugal
continental”, que “está a beneficiar da conjuntura internacional,
atraindo fluxos turísticos” desviados de regiões afetadas pelos
conflitos no Médio Oriente.A associação
empresarial refere ainda que, nos restantes aeroportos dos Açores, a
tendência é também de queda, embora menos acentuada.A
Terceira (Lajes) perde cerca de 19 mil lugares e Santa Maria regista
uma diminuição de cerca de 3 mil lugares, tendo em conta também a
redução de lugares da Azores Airlines e da SATA Air Açores, refere a
CCIPD."Em contraciclo, o Pico (+432
lugares) e Horta (+2.058 lugares) apresentam crescimentos, ainda que com
expressão limitada no total regional", diz ainda a associação
empresarial, salientando que "este padrão confirma que a quebra de
capacidade está fortemente concentrada em Ponta Delgada, sem uma
redistribuição suficiente para outros 'gateways'".Para
a Câmara do Comércio, estes dados relativos ao verão de 2026
"evidenciam uma situação particularmente preocupante para o aeroporto de
Ponta Delgada e para a acessibilidade aérea dos Açores", associada "à
não substituição da oferta anteriormente assegurada pela Ryanair".A
situação, acrescenta, suscita "sérias preocupações relativamente à
manutenção dos postos de trabalho e à contratação sazonal que impacta
diretamente na atividade turística e no seu efeito multiplicador na
economia".A direção da CCIPD considera,
por isso, "imprescindível" a implementação de "políticas ativas de
captação de rotas e de consolidação da conectividade aérea" para mitigar
os efeitos desta contração e assegurar a sustentabilidade do turismo
regional.Em janeiro, o presidente
executivo da Ryanair, Michael O’Leary, disse, em entrevista à agência
Lusa, que a companhia aérea iria encerrar a base nos Açores no fim de
março, rejeitando qualquer possibilidade de recuo, o que efetivamente
aconteceu.O Governo Regional dos Açores ainda tentou, sem sucesso, que a companhia mantivesse a operação na região, iniciada em 2015.