Empresários alertam para impactos que nova greve na Atlânticoline terá no turismo
6 de jul. de 2024, 08:00
— Lusa
“Esta
hipotética greve da Atlânticoline, entre 12 de julho e 12 de agosto, é
efetivamente uma machadada forte no turismo desta zona geográfica e vai
fazer com que muitos dos investimentos que foram feitos tenham prejuízos
substanciais”, advertiu o presidente da Câmara do Comércio e Indústria
da Horta (CCIH), Francisco José Rosa, em conferência de imprensa, na
ilha do Faial.A Atlânticoline cancelou,
entre março e abril deste ano, mais de 50 viagens entre as ilhas do
Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), devido a uma greve dos maquinistas,
que exigiam melhores condições salariais.Entretanto,
o sindicato que representa os maquinistas já apresentou um novo
pré-aviso de greve, entre 12 de julho e 12 de agosto, alegando que a
administração da empresa não está a cumprir com o pagamento de horas
extraordinárias.Também presente na
conferência de imprensa, o presidente da Associação Comercial e
Industrial do Pico (ACIP), Rui Lima, lamentou o impacto negativo que a
paralisação dos transportes marítimos de passageiros interilhas poderá
vir a ter em termos turísticos para o Faial e para o Pico.“Só
ouvir falar da greve já torna o tecido empresarial nervoso”, salientou o
empresário do Pico, lembrando que se não se conseguir assegurar
“qualidade e previsibilidade” no período de verão “há um trabalho brutal
e considerável que vai por água abaixo” e apelando, por isso, a um
acordo entre a administração da empresa e o Sindicato da Marinha
Mercante.Já o presidente da Associação de
Turismo Sustentável do Faial (ATSF), Pedro Rosa, igualmente presente na
conferência de imprensa conjunta, lembrou que os trabalhadores da
Atlânticoline estiveram em greve há apenas três meses, considerando que
uma nova paralisação poderá ter impactos “demasiado severos” para quem
depende dos transportes marítimos.“Só
conseguiríamos compreender o grau de severidade desta greve face a
reivindicações que seriam seguramente vitais, digamos assim”, referiu
Pedro Rosa, lamentando que a paralisação tenha sido decretada “de forma
total, para um mês inteiro, de forma a afetar as festas concelhias das
ilhas do Triângulo, e para fazer o máximo de dano possível a todos
aqueles que dependem de transportes marítimos”.A
empresa pública de transporte marítimo de passageiros e viaturas, que
transporta anualmente mais de 500 mil passageiros, tem, desde junho, uma
nova presidente, Isabel Dutra, nomeada pelo Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM), mas que já pertencia ao anterior conselho de
administração.