Empresários alertam para bloqueios à requalificação urbana em São Miguel e Santa Maria
Hoje 16:20
— Lusa/AO Online
Segundo
a associação empresarial das ilhas açorianas de São Miguel e Santa
Maria, “são recorrentes e documentados os casos em que projetos de
reabilitação urbana — devidamente elaborados por arquitetos
qualificados, aprovados ou em fase de aprovação pelas câmaras municipais
e conformes com a legislação aplicável — se veem suspensos, bloqueados
ou sucessivamente devolvidos por parte dos serviços da DRC",
alegadamente "sem fundamentações claras, objetivas e juridicamente
sustentadas".Em comunicado, a associação
empresarial denuncia que as consequências desta situação "são gravosas e
multidimensionais", defendendo uma intervenção imediata do Governo
Regional.De acordo com a
Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, imóveis de valor
patrimonial continuam em "estado de abandono e ruína progressiva",
quando "poderiam ser objeto de intervenção imediata — o que representa,
paradoxalmente, a maior ameaça à própria herança cultural que a DRC diz
defender".Por outro lado, promotores
privados e públicos veem os seus projetos de investimento
"inviabilizados por atrasos que se prolongam por meses ou anos, gerando
prejuízos económicos avultados e desincentivando o investimento na
região", aponta ainda.Segundo a CCIPD, "o
profissionalismo e a competência de arquitetos, engenheiros e técnicos
de reconhecida idoneidade são publicamente questionados por pareceres
que não assentam em critérios técnicos transparentes, objetivos e
uniformes"."A autoridade e a autonomia
técnica das câmaras municipais são sistematicamente menosprezadas, numa
sobreposição de competências que viola os princípios da subsidiariedade e
da boa administração", acrescenta a direção da associação empresarial,
no comunicado.Para a associação presidida
por Gualter Couto, os atrasos provocam prejuízos económicos relevantes,
desincentivam o investimento e colocam em causa o trabalho de técnicos.No
entender da associação empresarial, "a vitalidade económica, turística e
social dos centros históricos é sacrificada em nome de uma
interpretação rígida sobre o património". A associação manifesta também preocupação com "a passividade do Governo Regional" perante esta situação. "A
tutela política da DRC tem a responsabilidade de garantir que os
serviços sob a sua dependência cumprem a sua missão com eficiência,
transparência e respeito pelos demais intervenientes institucionais. A
inércia do Governo Regional perante as reiteradas queixas de promotores,
técnicos e autarquias configura uma cumplicidade que não pode continuar
a ser ignorada", critica.Entre as medidas
propostas, a CCIPD exige a "adoção imediata" de prazos máximos
vinculativos para a emissão de pareceres por parte da DRC, com a criação
de mecanismos de "deferimento tácito em caso de incumprimento" desses
prazos, a "publicação de critérios técnicos claros e uniformes" e a
implementação de "um mecanismo de recurso ágil e independente" para
contestar pareceres desfavoráveis.Defende
ainda a "instauração de procedimentos de responsabilização funcional nos
casos em que fique demonstrado o abuso do estatuto técnico ou a emissão
de pareceres sem fundamentação adequada" e "a intervenção direta e
imediata do Governo Regional" para resolver "o bloqueio sistémico que se
verifica", através de "uma reforma profunda da organização e dos
procedimentos da DRC".