Empresários açorianos propõem alteração ao modelo do subsídio social de mobilidade
Hoje 15:44
— Lusa/AO Online
A
associação empresarial das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa
defendeu, em comunicado, que os passageiros das regiões autónomas devem
pagar apenas o valor da tarifa de residente nas viagens para a outra
região ou para o continente, sem terem de adiantar o valor total da
passagem e esperar pelo reembolso, como acontece atualmente.No
entanto, acrescentou que o operador emissor deve receber a totalidade
do valor do bilhete, no momento da compra, para não alterar o
funcionamento do mercado, nem introduzir encargos sobre as companhias
aéreas ou agências de viagens.“Na prática,
o modelo propõe que o passageiro pague apenas o valor correspondente ao
SSM, o Estado pague automaticamente o restante no momento da compra e a
companhia aérea ou a agência de viagens receba de imediato o valor
total do bilhete”, explicou a CCIAH.A
solução foi proposta num ofício enviado ao Governo Regional dos Açores,
aos grupos parlamentares, ao Governo da República e ao Presidente da
República.Segundo os empresários, o modelo
proposto “assenta numa infraestrutura de pagamentos já existente,
apoiada por uma linha de liquidez que assegura a estabilidade do sistema
em situações pontuais”.“Permite eliminar o
pagamento antecipado pelos residentes, garantir previsibilidade
financeira para o Estado e preservar o normal funcionamento do mercado,
evitando soluções que possam levar à redução de oferta ou à saída de
operadores”, apontaram.A associação
empresarial, liderada por Marcos Couto, considerou ainda que este modelo
“reforça o papel das agências de viagens, assegura condições de
concorrência leal e contribui para a continuidade territorial e a
conectividade das regiões autónomas”.“Esta
proposta foi concebida para integrar e valorizar todos os agentes do
sistema, em particular as agências de viagens, reconhecendo o seu papel
essencial na distribuição do transporte aéreo nas regiões autónomas”,
frisou.Os empresários sublinharam que a
proposta garante “transparência, rastreabilidade e capacidade de
correção sempre que necessário”, eliminando a necessidade de processos
de reembolso e reduzindo a burocracia, mas “sem perda de escrutínio
público”.“O modelo proposto não reduz o
controlo público; pelo contrário, reforça‑o. Todas as operações são
registadas e ficam sujeitas a mecanismos de verificação e auditoria,
permitindo ao Estado acompanhar com rigor a execução do SSM e controlar a
despesa”, referiram.O ministro das
Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, reafirmou, na semana passada, na
Assembleia da República, o compromisso de alterar o modelo do subsídio
social de mobilidade para evitar que os passageiros tenham de suportar
antecipadamente o custo total das viagens.“Foi
compromisso do Governo que até ao verão apresentaríamos uma solução
para que os açorianos e os madeirenses não necessitassem de adiantar a
totalidade do valor das suas viagens. Afirmo e reafirmo este
compromisso, e acrescento que estou convicto de que conseguiremos
antecipar estes prazos”, declarou.Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade prevê a atribuição de um
reembolso a residentes, residentes equiparados e estudantes das duas
regiões autónomas, que resulta da diferença entre o custo elegível
da passagem, paga na íntegra pelo passageiro, e a tarifa máxima
suportada pelo residente, definida por portaria.Nos
Açores, a tarifa máxima suportada pelos residentes nas viagens (ida e
volta) para o continente é de 119 euros e a suportada pelos estudantes é
de 89 euros, havendo um limite de 600 euros no custo elegível da
passagem.