Empresários açorianos pedem plano de ação imediato para sazonalidade

27 de mar. de 2024, 17:26 — Lusa

A posição da direção e da Comissão Especializada do Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Associação Empresarial das Ilhas de São Miguel e Santa Maria, surge na sequência de uma reunião que decorreu na terça-feira com o objetivo de analisar e discutir a situação atual do setor.Segundo a Comissão Especializada do Turismo, a redução de voos da companhia aérea de voos ‘low cost’ Ryanair para o arquipélago, desde 01 de outubro de 2023, "é um retrocesso" no modelo de acessibilidade à Região Autónoma dos Açores.O agravamento da sazonalidade motivou "uma redução da procura pelo destino, pois a taxa de ocupação nos Açores decresceu 6,7% em janeiro de 2024 e o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) também decresceu 6,3% (quebra mais elevada do país), estando os Açores no 3.º lugar das regiões com pior RevPAR de Portugal", lê-se num comunicado.Se por um lado a hotelaria tradicional "sofreu menor impacto" com a redução dos voos da Ryanair com alguma compensação feita pela transportadora aérea SATA, a associação empresarial alerta que no caso do alojamento local, restauração, rent-a-car, animação e em outras atividades turísticas foram registados "decréscimos" que em alguns casos "ultrapassaram os 40%".A Câmara de Comércio manifesta, assim, preocupação em relação ao "retrocesso que o turismo está a ter no Inverno IATA 2023/24", isto depois de os Açores se terem conseguido posicionar como "um destino diferenciado" no pós-pandemia de covid-19."A situação mostra alguns sinais de preocupação na medida em que o impacto de recuperação da pandemia já não se faz sentir nos negócios", considera a associação empresarial em comunicado.Para a Comissão Especializada apesar de uma maior oferta turística e mais investimentos houve uma redução de lugares nos voos nos últimos meses."Nas ligações para o continente português houve neste inverno um decréscimo de cerca de 11% de lugares o que corresponde a cerca de 50.000 lugares que podiam potenciar 150.000 dormidas", assinala.A Comissão Especializada do Turismo lembra o peso do setor na economia regional, quer em termos de emprego (representando cerca de 25 mil postos de trabalho diretos e indiretos), quer para o PIB regional (cerca de 12%) e o contributo para fixação de população nas ilhas. "Não fora o crescimento do turismo na última década, a evolução demográfica dos Açores teria sido muito mais negativa do que já foi, pelo que não é aceitável que o setor tenha um retrocesso real", salienta.A "redução drástica das ligações operadas pela Ryanair no inverno IATA teve um impacto efetivo na procura pelo destino e, ao contrário do que se exigia, os voos não estão a acompanhar a disponibilidade que existe ao nível da oferta turística. A escassez de voos está a bloquear o setor do turismo. Sem voos não há turismo", alerta.Na nota, a associação empresarial faz ainda referência ao "sentimento crescente de insegurança" na cidade de Ponta Delgada, em São Miguel, pedindo uma intervenção urgente integrada das várias entidades, tal como em relação à segurança dos trilhos, propondo a utilização de um equipamento com mecanismo de localização dos turistas.Por outro lado, acrescenta, "a promoção turística é débil e sem um plano efetivo e adequado aos desafios do setor que já gera cerca de 600 milhões de euros de PIB nos Açores, recebendo menos do que 1% de reinvestimento do governo em promoção”.A associação defende igualmente uma “moralização e modernização” do modelo de Subsídio Social de Mobilidade.Relativamente ao verão, a associação fala em boas perspetivas nas rotas do mercado internacional de "cerca de 18% face ao período homólogo" de 2023, mas alerta que são "ténues" as perspetivas de ligações internas, registando o crescimento de "apenas 4% da oferta no mercado nacional, o que evidencia uma perspetiva pouco animadora tendo em conta o peso e o potencial do mesmo".