Empresários açorianos pedem novo modelo de verificação das baixas de longa duração
10 de jul. de 2025, 15:53
— Lusa/AO Online
A
direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada - Associação
Empresarial das Ilhas de São Miguel e Santa Maria (CCIPD) e o Conselho
Médico da Ordem dos Médicos na Região Autónoma dos Açores reuniram-se na
terça-feira com o objetivo de analisar e discutir a situação atual do
setor da saúde e concluíram que a utilização das baixas médicas “teve um
acréscimo de 22% de 2022 a 2024”.“É neste
contexto, preocupante e com grande impacto nas empresas e na economia
dos Açores, que importa implementar um modelo de verificação das baixas
de longa duração, combatendo, assim, a utilização indevida das mesmas”,
referiu a CCIPD numa nota de imprensa.Para
a direção da estrutura empresarial, à semelhança dos programas que
existem para o combate das listas de espera, o Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) “poderá implementar um programa específico para
incentivar a realização atempada de juntas médicas (que não estão a
funcionar nos Açores por falta de profissionais da área), de modo a que
sejam verificadas todas as situações solicitadas pelas entidades
empregadoras e as baixas de longa duração”.Ainda
de acordo com a estrutura representativa dos empresários, os valores
pagos durante uma baixa médica poderão, em alguns casos, “ser
incentivadores” da sua manutenção.Assim, a
CCIPD considera “urgente rever os valores pagos para as determinadas
situações de baixas médicas sob pena do sistema incentivar à manutenção
da mesma e não ao regresso ao trabalho, onerando o erário público e
prejudicando a competitividade da economia”.No
encontro dos representantes dos empresários das ilhas de São Miguel e
de Santa Maria com a Ordem dos Médicos na Região Autónoma dos Açores foi
ainda identificada a necessidade de existirem mais médicos e analisada a
possibilidade de, a curto prazo, “se implementar um programa que
incentive a mobilidade, bem como um programa de apoio a deslocações
temporárias”.Concluíram também que, a
médio prazo, é “imprescindível a instalação de um hospital universitário
central na ilha de São Miguel que, em parceria com a universidade dos
Açores, poderá maximizar o contributo para o crescimento e para a
qualificação do corpo médico” no arquipélago.Segundo
o organismo, atualmente, os três primeiros anos do curso de medicina já
são lecionados na Universidade dos Açores, “o que mostra a capacidade
de desenvolvimento deste projeto agregador e estratégico para a região”.