Empresários açorianos defendem reestruturação da administração pública regional
15 de abr. de 2025, 16:26
— Lusa/AO Online
“Entendemos
que a administração pública regional tem de ser fortemente melhorada.
Temos de aproveitar a janela que surge com o atingir da idade da reforma
de cerca de 30% dos funcionários públicos regionais. Isso dá-nos uma
janela de reestruturação e de reformulação de toda a administração
pública regional, de forma que ela seja mais eficaz, mais eficiente e
mais próxima dos cidadãos”, afirmou, em conferência de imprensa, em
Angra do Heroísmo, o presidente da CCIAH.Segundo
contas apresentadas pela associação empresarial das ilhas Terceira, São
Jorge e Graciosa, a administração pública regional dos Açores tem cerca
de 20 mil funcionários, que representam 16,7% da população empregada e
8,47% da população total.Ao contrário do
que os empresários esperavam encontrar, o peso da administração pública
regional dos Açores não apresenta diferenças significativas face ao que
acontece na Madeira (16,9% da população empregada) ou no todo nacional
(14,5%).“Quando começámos este estudo,
julgámos que íamos encontrar uma realidade diferente. Os açorianos, de
um modo geral, tinham ideia de que tínhamos uma administração pública
com excesso de funcionários. Não é por aí. O problema é efetivamente na
eficácia e na eficiência da nossa administração pública. É aí que as
coisas falham, não é pelo número”, salientou Marcos Couto.O
presidente da associação empresarial considerou que a diferença face
aos restantes territórios nacionais “não é significativa” e pode ser
justificada pelo facto de a região ser “geograficamente dispersa e
descontínua”, com nove ilhas.“A
administração pública regional tem um peso que nós entendemos que é
equilibrado no panorama regional, mas existem questões que nos
preocupam. Acaba por ter um peso muito significativo, fruto da nossa
baixa produtividade”, salientou, lembrando que, em 2024, a administração
pública da Madeira registou um superavit de 200,2 milhões de euros,
enquanto a dos Açores apresentou um défice de 184,8 milhões de euros.Para
Marcos Couto ainda é possível reduzir o número de funcionários da
administração pública nos Açores e otimizar os serviços prestados,
recorrendo, por exemplo, à inteligência artificial.“É
uma oportunidade de substituirmos estas pessoas e disponibilizá-las
para outras funções num mercado de trabalho que também ele já começa a
escassear na iniciativa privada”, apontou.De
acordo com as contas da CCIAH, mais de 6200 funcionários da
administração pública regional dos Açores têm 55 ou mais anos, o que
equivale a 30% da força laboral.A
associação empresarial defendeu uma “reestruturação profunda da
administração pública regional”, propondo a criação de incentivos à
aposentação voluntária, a flexibilização de procedimentos de mobilidade
interna de recursos humanos e o recurso às novas tecnologias para
modernizar a função pública e torná-la menos burocrática.“Isso
passa pela adoção das novas tecnologias, como seja a Inteligência
Artificial, e pelo trabalho remoto, eventualmente. Também propomos a
criação de um gabinete que permita concentrar a aprovação de projetos”,
salientou Marcos Couto.O presidente da
CCIAH considerou ainda necessário rejuvenescer e requalificar os quadros
superiores, captando jovens do exterior com experiências
profissionais relevantes.“É muito
importante termos outras mentalidades, outras formas de ver a realidade
da administração pública regional, com gente que tenha outras
experiências, que não esteja habituado a esta realidade, que muitas
vezes é castradora dos Açores”, vincou.