Empresários açorianos congratulam-se com anulação de concurso para construção de navio
Covid-19
8 de abr. de 2020, 11:24
— Lusa/AO Online
O organismo
representativo do tecido empresarial considera, segundo uma nota
imprensa, como positiva a decisão de direcionar 48,2 milhões de euros
para reforçar o financiamento da saúde e das medidas de apoio ao emprego
e à dinamização económica, que “são cada vez mais urgentes e
imprescindíveis para a sustentação do tecido empresarial e da coesão
socioecónomica regional”.O Governo dos
Açores decidiu terça-feira anular o concurso para a construção de um
navio de transporte de passageiros e viaturas, e direcionar os 48,2
milhões de euros desse investimento para o combate à pandemia da
covid-19 na região.A decisão, diz o
Governo dos Açores, vai permitir, "ao abrigo da abertura manifestada
pela Comissão Europeia, direcionar 41 milhões de euros de fundos
comunitários, bem como os restantes 7,2 milhões de euros de
comparticipação regional referente" ao investimento no navio para as
medidas destinadas a reforçar o investimento na saúde, assim como para
apoiar o emprego e as empresas.O concurso
público internacional previa a conceção e construção de um navio 'ro-ro'
com capacidade para transportar 650 passageiros e 150 viaturas.Em
nota à imprensa, é referido que o presidente do Governo Regional, Vasco
Cordeiro, convocou para a tarde de terça-feira um encontro do Conselho
de Governo, que deliberou anular o "concurso público internacional para a
conceção e construção de um navio de transporte de passageiros e
viaturas", e "decidiu direcionar o respetivo montante para o reforço do
financiamento da saúde e das medidas de apoio ao emprego e à dinamização
da economia na região".Para a CCIA, esta
decisão, que “vinha defendendo há vários anos”, constitui uma
“oportunidade única para se reconfigurar o modelo de transportes de
mercadorias”, que “não se revela satisfatório para a economia regional”.A
CCIA já tinha considerado “não prioritário” o investimento de fundos
públicos regionais na construção de um novo navio de passageiros, por
este representar um “reduzido impacto” na economia açoriana.“Foi
considerado não prioritário o investimento na construção de um navio
para o transporte inter-ilhas, dado o seu avultado valor e reduzido
impacto na economia quer na fase de construção, com impacto zero, quer
na fase de operação, com exploração negativa”, concluiu o Fórum CCIA
2018 – Encontro Empresarial dos Açores.A
CCIA “discorda liminarmente” da aquisição do navio ró-ró “sem que antes
se tenha revisto e equacionado, de forma tecnicamente balizada, o que
será o modelo de transportes marítimos para os Açores”, sob pena de se
“fazerem opções erradas e onerosas para o futuro”.O
organismo criticou igualmente, o “mau funcionamento dos portos dos
Açores”, por via da sua organização, o que constitui motivo de
preocupação “uma vez que prejudica a sua competitividade”.“Não existe um planeamento estratégico evidente e adequado para os portos dos Açores”, constataram os empresários.