Empresário Mário Ferreira prestes a ser o primeiro turista espacial português
2 de ago. de 2022, 16:47
— Lusa/AO Online
A
cápsula autónoma e reutilizável New Shepard da empresa Blue Origin onde
seguirão Mário Ferreira de 54 anos, e mais cinco tripulantes descolará
do deserto do Texas, nos Estados Unidos, tendo a "janela" de lançamento
início previsto para as 14h30 (hora em Lisboa, menos uma nos Açores). Trata-se
do sexto voo suborbital com tripulantes da Blue Origin, empresa
aeroespacial dirigida pelo magnata norte-americano Jeff Bezos, que a 20
de julho de 2021 se estreou nas viagens espaciais juntamente com o mais
jovem turista, Oliver Daemen, um estudante holandês de 18 anos, filho
de um milionário que lhe ofereceu o lugar que tinha comprado por 28
milhões de dólares (27,3 milhões de euros) num leilão com fins
beneméritos.Ao lado de Mário Ferreira,
presidente do grupo Pluris Investments, através do qual detém uma
posição no capital da TVI e a empresa de cruzeiros Douro Azul, vão estar
a engenheira egípcia Sara Sabry, a alpinista anglo-americana Vanessa
O'Brien, o cofundador do canal desportivo do YouTube "Dude Perfect" Coby
Cotton, o ex-executivo do setor das telecomunicações Steve Young e o
especialista em tecnologia Clint Kelly III.Se
tudo correr bem, e à semelhança de outros voos, os seis tripulantes vão
transpor a barreira que separa o limite da atmosfera terrestre e o
espaço e sentir a microgravidade, numa curta viagem de pouco mais de 10
minutos entre a descolagem (impulsionada por um propulsor) e a aterragem
(suavizada por um paraquedas). Nenhum dos tripulantes terá de pilotar a
nave, uma vez que é totalmente autónoma.Mário
Ferreira, que em julho foi constituído arguido na "Operação Ferry", que
investiga eventuais crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento
no negócio da compra e venda do navio Atlântida, já tinha manifestado o
seu desejo de ir ao espaço e chegou mesmo a comprar bilhete para voar
com uma outra empresa, a Virgin Galactic.Ao
programa da TVI "Conta-me", transmitido no sábado, o patrão desta
estação televisiva disse que embarca na viagem da Blue Origin porque
acredita na tecnologia e consciente de que "é um desafio" apesar de
"alguns riscos" envolvidos, ainda que calculados."Tenho noção de que isto será a coisa mais arriscada que fiz na minha vida", assumiu. Citado esta terça-feira pelo jornal JN, o empresário nortenho adianta na rede social
Facebook que levará na viagem uma garrafa de vinho do Porto Vintage.Desconhece-se
ao certo quanto pagou pelo bilhete, mas, segundo a imprensa, o voo pode
custar entre 200 mil e 300 mil dólares (195 mil a 293 mil euros).O
logótipo do sexto voo tripulado da Blue Origin ostenta os apelidos dos
seus seis tripulantes, aos quais foram atribuídos determinados símbolos.
Mário Ferreira é representado por uma caravela, numa alusão à herança
portuguesa de exploração dos mares nos Descobrimentos.Tal
como o empresário português, a engenheira egípcia Sara Sabry,
simbolizada por pirâmides, inscreverá pela primeira vez o seu país na
história do turismo espacial.Antes de
seguir nesta viagem, a anglo-americana Vanessa O'Brien já detinha a
proeza de ser a primeira mulher a alcançar a montanha mais alta, o Monte
Everest, e o ponto mais profundo da superfície terrestre, na Fossa das
Marianas, de acordo com a Blue Origin.O
turismo espacial, por enquanto apenas acessível aos mais ricos, teve um
'boom' em 2021, ano de estreia neste nicho de mercado das empresas
aeroespaciais Blue Origin, Virgin Galactic e SpaceX.Antes
de Jeff Bezos, o patrão da Virgin Galactic, o multimilionário britânico
Richard Branson, experimentou a 11 de julho do ano passado a
microgravidade, por alguns instantes, num voo igualmente suborbital a
bordo do avião VSS Unity.A Virgin Galactic
esperava começar com as viagens comerciais propriamente ditas em 2022.
Uma viagem de 90 minutos (hora e meia) pode custar 450 mil dólares (440
mil euros).Em setembro de 2021, numa
missão um pouco mais ambiciosa, a SpaceX, do multimilionário Elon Musk,
enviou quatro turistas espaciais durante três dias para a órbita da
Terra.O também multimilionário Jared
Isaacman comandou a missão e Hayley Arceneaux, de 29 anos, uma
sobrevivente de cancro e assistente médica num hospital pediátrico,
tornou-se na pessoa mais jovem a voar para o espaço orbital.A
SpaceX, que enviou em 2020 os primeiros astronautas para a Estação
Espacial Internacional (EEI) pondo termo à dependência dos
norte-americanos do transporte russo, levou em abril último quatro
homens - um ex-astronauta, um ex-piloto, um investidor e um empresário -
à EEI, num voo organizado por uma outra empresa aeroespacial
norte-americana, a Axiom Space.Com exceção
do antigo astronauta da NASA Michael López-Alegría, que faz parte da
empresa, os restantes tripulantes pagaram, cada um, segundo a imprensa
norte-americana, 55 milhões dólares (53,7 milhões de euros) pela viagem
até à EEI, onde estiveram duas semanas a fazer experiências científicas e
atividades educativas e comerciais.A
Axiom Space, que pretende criar a primeira estação espacial comercial,
cujo primeiro módulo deverá ser lançado em 2024, acordou com a SpaceX um
total de quatro missões.Na sua página na internet, a SpaceX publicita não só voos comerciais para a órbita da Terra, mas também para a órbita da Lua.Em
março de 2021, o excêntrico milionário japonês Yusaku Maezawa comprou
oito bilhetes para pessoas do mundo inteiro o acompanharem numa viagem à
volta da Lua, prevista para 2023. O
empresário, fundador da ZozoTown, uma plataforma de vendas 'online' de
artigos de moda, a maior do Japão, foi o primeiro cliente privado a
reservar um lugar no voo operado pela SpaceX. O montante pago não foi
revelado.A 08 de dezembro, Yusaku Maezawa
viajou até à EEI, na órbita terrestre, graças a uma parceria entre a
agência espacial russa Roscosmos e a Space Adventures, empresa
norte-americana que vende exclusivamente voos nas naves Soyuz da
Roscosmos com destino à "casa" dos astronautas, que não recebia turistas
desde 2009.