Empresário criticam estratégia da Visit Azores e alertam para quebra do turismo
Hoje 09:58
— Ana Carvalho Melo
A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) criticou a
estratégia defendida pela VisitAzores, que aponta para “menos
passageiros e mais valor”, considerando que a região enfrenta já um
ciclo de quebra da procura turística e perda de competitividade que
exige medidas urgentes.Em nota enviada à comunicação social, a CCIPD
diz que “recebeu com surpresa as declarações do presidente da
VisitAzores, publicadas recentemente num semanário nacional, nas quais é
defendida uma estratégia assente na ideia de que o futuro do turismo
dos Açores deverá passar por “menos passageiros e mais valor local” e
que desconsidera o relevante papel da Ilha de S. Miguel para a
consolidação do crescimento no setor turismo. Trata-se de uma visão
errada, que conduz ao empobrecimento da Região e que não defendemos”.Na
opinião da CCIPD, “”esta visão estratégica não acompanha a realidade
que o setor atravessa atualmente e corre o risco de desviar a atenção
daquilo que verdadeiramente constitui hoje o principal desafio do
turismo açoriano: inverter o atual ciclo de perda de competitividade e
recuperar a procura turística.A CCIPD sustenta que os dados do
Serviço Regional de Estatística dos Açores confirmam uma tendência
negativa ao longo de 2026. Entre janeiro e abril, as dormidas registaram
quebras homólogas consecutivas, 9,9% em janeiro, 5,9% em fevereiro,
2,4% em março e 12,3% em abril , acumulando uma descida de 4,9% no
primeiro trimestre. O número de hóspedes caiu 5,1%.A associação
destaca ainda a quebra do mercado nacional e da ilha de São Miguel, que
considera “principal motor da economia turística regional”.Outro dos
pontos críticos apontados é a acessibilidade aérea, com a CCIPD a
estimar que a saída da Ryanair possa representar uma perda anual entre
144 e 166 milhões de euros para a economia açoriana, defendendo a
necessidade de recuperar ligações e atrair novas companhias.No
comunicado, a associação rejeita ainda a ideia de que os Açores
enfrentem um cenário de saturação turística, sublinhando que existe
capacidade instalada para crescer de forma sustentável em vários
segmentos, incluindo hotelaria, alojamento local e animação turística.