Empresário César Boaventura fica em prisão domiciliária
17 de dez. de 2021, 13:27
— Lusa/AO Online
Os arguidos foram presentes a
primeiro interrogatório judicial no TIC do Porto, que determinou que o
empresário, considerado pelo Ministério Público o líder de um “esquema”
de fraude fiscal e branqueamento, ficasse sujeito à medida de coação de
obrigação de permanência na habitação com vigilância eletrónica (OPHVE),
disse à agência Lusa fonte judicial.Em
comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou
três detenções, entre as quais a de um empresário do setor metalúrgico e
a de outro ligado à atividade desportiva, (César Boaventura), e a
realização de 28 buscas domiciliárias e não domiciliárias nos concelhos
de Barcelos, de Braga, de Esposende, da Trofa, de Vila Nova de
Famalicão, no Funchal, em Benavente e em Lisboa.No
auto de buscas do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do
Porto, a que a Lusa teve acesso, estão descritas várias empresas
(incluindo uma têxtil e outra de construções metalomecânicas), quase
todas localizadas na região Norte do país, diversos contabilistas,
Benfica e Sporting e respetivas SAD - Sociedade Anónima Desportiva, mas
os clubes já garantiram que não são arguidos nem visados na
investigação, que procura apurar a eventual prática dos crimes de fraude
fiscal, burla qualificada, falsificação informática e branqueamento.No
documento, a investigação assume que “se desconhece até ao momento o
grau de envolvimento dos clubes e sociedades referidas neste esquema
liderado pelo suspeito César Boaventura”.No
comunicado divulgado, a PJ explica que foram, até ao
momento, identificados movimentos financeiros, em diversas plataformas,
num montante superior a 70 milhões de euros.“Através
do exercício de atividade comercial fictícia de sociedades geridas
pelos suspeitos, assim como de correspondentes contas bancárias
tituladas por terceiros (pessoas individuais e coletivas), em território
nacional e no estrangeiro, aqueles lograram criar um intrincado esquema
de faturação/movimentação financeira que ofereciam tanto como veículo
de branqueamento para terceiros, prestando assim esse serviço ilícito
pelo qual seriam remunerados, como para ocultação dos proveitos gerados
da própria atividade legítima dos próprios e de terceiros, nos setores
indicados”, explica esta polícia de investigação criminal.Segundo
a PJ, a vantagem patrimonial estimada em sede fiscal, associada ao
principal visado (César Boaventura), atinge o montante de 1,5 milhões de
euros, “apenas com base em elementos já confirmados”.A
‘Operação Malapata’ foi realizada no âmbito de um inquérito titulado
pelo Ministério Público (MP) no DIAP do Porto, com a participação da
Autoridade Tributária e Aduaneira - Direção de Finanças do Porto.No
decurso da operação policial, foi apreendida “documentação diversa”
relativa à prática dos factos, além de viaturas automóveis e material
informático.