Empresária angolana Isabel dos Santos constituída arguida
Luanda Leaks
22 de jan. de 2020, 18:58
— Lusa/AO Online
O anúncio foi feito pelo procurador-geral, Heldér Pitta Grós, em declarações à imprensa angolana em Luanda.Helder
Pitta Grós afirmou que o processo de inquérito aberto na sequência de
uma denúncia do presidente do conselho de administração da petrolífera,
Carlos Saturnino, já foi transformado em processo-crime e algumas
pessoas foram constituódas arguidas: a empresária e filha do
ex-Presidente angolano Isabel dos Santos; Sarju Raikundalia,
ex-administrador financeiro da Sonangol: Mário Leite da Silva, gestor de
Isabel dos Santos e presidente do Conselho de Administração do BFA;
Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da NOS e
Nuno Ribeiro da Cunha.Segundo o PGR, todos se encontram fora de Angola e, numa primeira fase, serão notificados sobre a sua condição de arguido. "Neste
momento, a preocupação é notificar e fazer com que venham
voluntariamente à justiça", disse o procurador-geral, adiantando que se
não conseguir este objetivo a PGR irá recorrer aos instrumentos legais
ao seu dispor, entre os quais a emissão de mandados de captura
internacionais.O inquérito à gestão de
Isabel dos Santos na Sonangol, entre junho de 2016 e novembro de 2017,
foi aberto depois de o seu sucessor, Carlos Saturnino, levantar
suspeitas sobre "transferências monetárias irregulares ordenadas pela
anterior administração da Sonangol e outros procedimentos incorretos".Um
Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no
domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que
detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika
Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano,
utilizando paraísos fiscais.De acordo com
a investigação deste conjunto de órgãos de comunicação social, entre os
quais o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de
ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90
milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai e que tinha como
única acionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel
dos Santos e administradora da operadora NOS.Os
dados divulgados envolvem também o advogado pessoal da empresária, o
português Jorge Brito Pereira (sócio da Uría Menéndez, o escritório de
Proença de Carvalho), o presidente do conselho de administração da
Efacec, Mário Leite da Silva (CEO da Fidequity, empresa com sede em
Lisboa detida por Isabel dos Santos e o seu marido), e Sarju Raikundalia
(ex-administrador financeiro da Sonangol).A
investigação revela ainda que, em menos de 24 horas, a conta da
Sonangol no EuroBic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos é a principal
acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à
demissão da empresária da petrolífera angolana.