Empresa sedeada nos Açores trabalha para reforçar segurança em transações de 'bitcoins'
23 de ago. de 2022, 08:30
— Lusa/AO Online
“Tornamos a experiência de lidar com
‘bitcoins’ muito semelhante ao que fazemos agora com os bancos. Podemos
ter uma empresa em que uma pessoa tem controlo da conta bancária, mas
quer dar acesso a transações a outra pessoa, impondo algumas restrições e
limites. Fazemos o mesmo com a ‘bitcoin’. Os funcionários podem ter
acesso ao dinheiro, mas com diferentes restrições”, explicou, em
declarações à Lusa, Kevin Loaec, cofundador da Revault.Natural
de França, o jovem de 33 anos, vive há cerca de um ano e meio na ilha
Terceira, nos Açores, e é a partir do Parque de Ciência e Tecnologia da
ilha Terceira, o Terinov, que desenvolve uma ferramenta digital que diz
ser totalmente nova para permitir reduzir riscos de roubo ou fraude nas
transações de 'bitcoin'.“Oferecemos
ferramentas de 'software' livre, que qualquer pessoa pode instalar,
copiar ou modificar, o que lhes permite guardar o dinheiro na sua
organização, sem ter de confiar em mais ninguém, nem confiar em nós”,
explicou.O projeto foi o primeiro nos
Açores a receber investimento da Portugal Ventures, sociedade de capital
de risco que integra o Grupo Banco Português de Fomento, no âmbito das
candidaturas à Call Açores, criada em parceria com o Governo Regional.Lançada
em 2021, a Call Açores recebeu 20 candidaturas, com um montante de
investimento solicitado de cerca de 4,6 milhões de euros.A
Revault terá acesso a um montante de cerca de 400 mil euros da Portugal
Ventures, de um total de 1,5 milhões de euros que a empresa já
conseguiu angariar, de investidores de países como Estados Unidos da
América, Canadá ou Suíça.Kevin Loaec
estudou física aplicada, mas desistiu da universidade e mudou-se para a
Irlanda, onde trabalhou em sistemas informáticos em várias empresas, com
o objetivo de angariar verbas para lançar o próprio negócio.A
primeira ideia de negócio, conta, foi desenvolver o pagamento por
cartão sem contacto, numa altura em que não era tão comum como hoje, mas
o investimento necessário, face à regulação dos sistemas financeiros,
levou-o a apostar na ‘bitcoin’.Foi um desafio lançado por um cliente que o levou a criar a Revault com o sócio Antoine Poinsot.“Um
dos meus clientes, um fundo de cobertura no Luxemburgo, tinha um
problema muito específico de segurança relacionado com ‘bitcoin’. Eles
queriam saber se seria possível aplicar restrições na forma de
movimentar o dinheiro. Fiz pesquisa e cheguei à conclusão de que isso
não existia na altura e que se acreditava que era impossível. Ao mesmo
tempo, descobri uma forma de fazer com que funcionasse”, contou.Kevin
e Antoine deixaram o negócio em que trabalhavam para se dedicarem em
exclusivo à Revault e conseguiram angariar, logo no início do projeto,
500 mil dólares do acelerador de empresas Boost VC, sedeado em Silicon
Valley.“Com o primeiro financiamento
conseguimos uma equipa de cinco pessoas e fizemos a 'demo' do produto. O
nosso foco, este ano, é colocarmos o produto no mercado”, salientou.Quando
a pandemia de covid-19 paralisou o mundo, Kevin estava em Lisboa a
tentar criar a ‘start up’, mas o custo de vida da cidade levou-o a
procurar outro destino e os Açores preencheram os seus requisitos.“Tenho
de viajar bastante. Este tipo de trabalho está relacionado com
segurança e muitas coisas ainda são mais fáceis quando falamos com os
clientes pessoalmente. Não queremos discutir assuntos de segurança por
mensagem. Temos ferramentas, mas não é a mesma coisa. Tinha de estar
perto de um aeroporto”, adiantou.“Foi
assim que fiz a minha pesquisa: para onde posso ir, que não esteja muito
longe de um aeroporto e seja um sítio agradável para viver, com uma
elevada qualidade de vida e boas ligações de internet. Foi assim que
descobri os Açores”, acrescentou.Um ano e
meio depois, o produto está praticamente pronto a colocar no mercado,
mas Kevin admite que possa demorar algum tempo a ser comercializado,
porque envolve “muito risco” e “quantidades elevadas de dinheiro”.“O
nosso objetivo é que esta ferramenta venha a ser utilizada por grandes
organizações, até porque o facto de ser um 'software' aberto significa
que quanto mais pessoas a utilizarem, mais pessoas contribuem e melhor
ela se torna”, frisou.