Empresa diz que há mais de 100 utentes à espera de exames de medicina nuclear nos Açores
20 de dez. de 2022, 07:21
— Lusa/AO
“Já
existe um número entre os 120 e 150 doentes que estão à espera, mas não
estão à nossa espera. Nós é que estamos à espera de perceber o que é que
querem fazer para podermos agendar estes doentes”, afirmou, em
declarações à Lusa, o administrador da Isopor Açores, Luís Metello.Na
terça-feira, a empresa, com quem o Governo Regional dos Açores tem uma
convenção para a realização de exames de medicina nuclear, tinha já
pedido “escusa de responsabilidade por tudo o que se relacionar com
quaisquer atrasos de fornecimento dos serviços e cuidados de saúde”,
incluindo os “serviços de resposta em urgência”.Questionada
pela Lusa, sobre a possibilidade de os exames serem suspensos, a
administração do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT),
onde está instalada a unidade de medicina nuclear, não quis prestar
declarações, mas disse “não ter conhecimento de qualquer constrangimento
com os utentes”.Segundo Luís Metello, “o
serviço tem estado a funcionar com poucos doentes e não tem estado a dar
resposta a um número importante de doentes, particularmente do grupo
central” [Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa].A
Isopor reivindica do Governo Regional a atualização dos valores pagos
pelos exames realizados, mas também a atualização de procedimentos, como
o alargamento dos exames convencionados ou a autorização de
requerimentos de exames por médicos de centros de saúde.O
administrador alegou que o facto de a empresa ter de importar
radioisótopos “obriga a uma logística complexa, que normalmente é
resolvida com cerca de 10 a 15 dias de antecedência, para a maior parte
dos produtos”, e disse estar “à espera de perceber o que vai acontecer”
para fazer uma nova encomenda.“Já estamos a
acabar [os materiais] e neste momento não é previsível quando vamos
receber. Não está encomendado. Estou à espera de resolver as situações e
de perceber um bocadinho melhor o que de facto podemos esperar dos
próximos tempos para poder organizar a logística em função disso”,
afirmou.O administrador da Isopor admitiu,
no entanto, estar confiante de que o diferendo com o executivo açoriano
se resolva em breve, tendo já uma reunião agendada.“Estamos convencidos de que o bom senso imperará e que haverá formas de encontrarmos uma solução”, avançou.Questionado
pela Lusa, o secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses,
disse estar disponível para rever a tabela de preços convencionados, mas
rejeitou que tenha havido falta de diálogo da tutela e lembrou que o
executivo (PSD/CDS-PP/PPM) regularizou a dívida deixada pelo anterior
governo (PS).“Poderemos avaliar a
possibilidade de alterar alguns dos valores, porque os problemas que a
Isopor colocou já estão resolvidos. Em maio de 2021, foram pagos cerca
de 96 mil euros em dívida por este governo”, vincou.Clélio
Meneses salientou que já teve “pelo menos duas reuniões formais” com a
administração da Isopor e que, em agosto de 2021, enviou uma proposta de
atualização dos valores da convenção, mas não obteve resposta.O
governante revelou ainda que manifestou disponibilidade para reunir com
a administração da Isopor no dia 27 de dezembro e que hoje mesmo tentou
antecipar essa reunião para quarta-feira.“Na
quinta-feira foi informada a Isopor da data da reunião para podermos
reunir e falar, no dia seguinte a Isopor faz sair um comunicado voltando
a dizer que não há comunicação por parte da tutela. É preciso
percebermos quais são as reais intenções que estão por detrás de todo
este processo público que tem sido levado a cabo”, apontou.Questionado
sobre a possibilidade de os exames serem suspensos, Clélio Meneses
lembrou que os utentes da ilha de São Miguel já fazem exames em
Lisboa, mas mostrou-se confiante na resolução do problema.“Estamos a trabalhar no sentido de perceber se é possível que se continuem a prestar estes serviços na região”, avançou.Desde 2016, a Isopor realizou cerca de 4.000 exames de medicina nuclear nos Açores.Em
causa estão exames de diagnóstico de patologias e do seu estado, mais
de metade relacionados com doenças oncológicas, mas também com doenças
cardiovasculares, pulmonares ou do foro neurológico, entre outras.