Empresa acusa líder da SATA de confirmar que processo de privatização da Azores Airlines não foi suficientemente claro
Hoje 15:12
— Lusa/AO Online
Num
comunicado enviado à Lusa, a empresa, que liderou um consórcio
interessado na aquisição de parte do capital social da companhia aérea
açoriana, mas que acabou por não apresentar uma proposta vinculativa,
alegando falta de informação, defende que as declarações recentes do
presidente do conselho de administração da SATA vêm confirmar os alertas
que tem feito sobre o processo.Em causa
estão declarações de Tiago Santos numa audição na Comissão de Economia
da Assembleia Legislativa dos Açores, a 7 de maio.“É
nesse contexto que se inicia um novo processo, estruturado de forma
diferente e com uma clareza em relação à empresa que não havia no
passado, nomeadamente a definição de responsabilidades de dívida e
questões relacionadas com recursos humanos, através de um procedimento
de negociação particular, conforme definido pelo Governo Regional e
consagrado no novo caderno de encargos”, afirmou o presidente do
conselho de administração da SATA, citado no comunicado da Victorair.Para
a empresa, Tiago Santos admitiu, com estas declarações, que “o processo
anterior não assegurava uma perceção suficientemente clara da realidade
económica, financeira e laboral da empresa” e que essa falta de clareza
incidia “sobre dois dos elementos mais críticos para qualquer
comprador, a definição de responsabilidades de dívida e as condições
relativas a recursos humanos”.A Victorair
considera ainda que o facto de o presidente do conselho de administração
da SATA admitir que o novo processo foi “estruturado de forma
diferente” confirma que “as condições do processo anterior eram
inadequadas para produzir uma transação robusta, estável e juridicamente
previsível”.A empresa dá como exemplo da
falta de clareza do processo a questão dos trabalhadores, alegando que o
presidente da SATA referiu que “a esmagadora maioria dos serviços de
suporte do grupo SATA se encontrava alojada na Azores Airlines, mas
prestava serviços à SATA Air Açores, à SATA Gestão de Aeródromos e à
SATA Handling” e que, “em alguns casos, esses trabalhadores não
prestavam sequer serviços à própria Azores Airlines”.“O
perímetro operacional e funcional do objeto da venda revelava-se
significativamente complexo e insuficientemente estabilizado, pois a
empresa a privatizar albergava 350 trabalhadores, cujas funções reais
eram servir outras entidades do grupo, que em alguns casos não serviam
sequer a própria empresa, tornando extremamente difícil para qualquer
comprador avaliar com rigor o que estava efetivamente a adquirir”,
acusou.A Victorair lembra que, em 2023,
quando decorria o concurso público internacional para a privatização da
Azores Airlines, solicitou “a prorrogação do prazo para entrega de
propostas, com fundamento na ausência de informação financeira
essencial, incluindo a identificação do montante da dívida financeira da
Azores Airlines e as condições estruturais relativas a recursos
humanos”.Segundo a empresa, foram
precisamente estas questões que levaram o consórcio que liderava a não
apresentar uma proposta vinculativa no processo anterior.“Qualquer
investidor que analise a história deste processo encontrará agora uma
declaração institucionalmente relevante de que as condições anteriores
eram inadequadas e de que o objeto da venda nunca esteve claramente
delimitado”, declarou.A Victorair defende,
por isso, que o novo caderno de encargos deve ser “verdadeiramente
completo”, que o perímetro da Azores Airlines deve “estar
definitivamente estabilizado antes do lançamento do procedimento” e que o
processo de diligência prévia tem de “dispor de tempo suficiente”.Em
março de 2023, foi lançado um concurso para a privatização de 51 a 85%
do capital social da Azores Airlines, na sequência de um acordo com a
Comissão Europeia, que aprovou, em junho de 2022, uma ajuda estatal à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros.Três
anos depois, o Governo Regional dos Açores decidiu encerrar a
privatização da Azores Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação
do júri, que concluiu que única proposta admitida implicava “riscos
inaceitáveis”, um acordo parassocial que permitia reduzir a participação
pública e uma equipa menos experiente na aviação.O
prazo limite para a privatização da Azores Airlines era 31 de dezembro
de 2025, mas a Comissão Europeia aceitou um pedido de prorrogação por um
ano.