Emissões gasosas no mar prolongam as que existem em terra e ajudam a estudar os sismos e os vulcões

Hoje 10:40 — Rui Jorge Cabral

“No fundo, as emissões que nós vemos em terra prolongam-se para o mar”, explica Catarina Silva, do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores, onde a sua área de especialização são os gases vulcânicos.E um dos trabalhos de investigação realizados no âmbito da iniciativa WAVES foi precisamente numa zona de desgasificação submarina ao largo da Praia da Pedreira, em Vila Franca do Campo.Conforme afirma Catarina Silva, “quanto mais informação nós temos sobre o sistema vulcânico, melhor será a análise que vamos fazer no caso de uma reativação de um sistema vulcânico”.Isto porque, explica a investigadora do IVAR, “o passo inicial é identificar as emissões gasosas, mas nós depois vamos estudar, por exemplo, a composição dos gases que existem nessas emissões e vamos ter, no fundo, uma linha de base daquilo que são as emissões normais daquele sistema vulcânico”.Durante os trabalhos realizados em Vila Franca do Campo, “o grande objetivo que nós tínhamos era, no fundo, arranjar metodologias que nos permitissem identificar as emissões gasosas submarinas e para isso nós selecionámos um local onde já sabíamos que elas existiam e fomos testar a tecnologia que tínhamos à nossa disposição”, afirma Catarina Silva.Foi assim utilizado um veículo operado remotamente (ROV) para captação de imagens e também um Sonar, juntamente com um hidrofone com o objetivo tentar captar o som emitido pelas bolhas de libertação de gases no fundo do mar.Uma experiência que foi bem sucedida, uma vez que “até agora, sempre que nós queríamos identificar uma zona de desgasificação submarina, tínhamos ou que mergulhar, ou que usar o Sonar do barco, mas isso implicava que, no caso do Sonar, tivéssemos que estar precisamente em cima destas zonas”, explica a investigadora do IVAR.E com o recurso ao ROV, conclui Catarina Silva, “queríamos aperfeiçoar técnicas que nos permitam identificar estas zonas de desgasificação submarinas a uma distância maior”.