Emigrantes criticam falta de informação "atempada" para viagens a Portugal
13 de jul. de 2020, 10:04
— LUSA/AO online
“O despacho [de 30 de junho] tem levantado
dúvidas e por sair muito em cima [do período de férias] e entrar
imediatamente em vigor já levou pessoas a terem de repetir o teste. Eu
fui um deles", afirmou o presidente do Conselho Permanente do Conselho
das Comunidades Portuguesas (CP-CCP), Flávio Alves Martins.Para
Flávio Martins, o texto do despacho "é razoável e traduz uma
preocupação real e legítima do Estado português de proteger os seus
cidadãos", porque a pandemia está "muito disseminada", nomeadamente no
Brasil e nos EUA. Mas "precisávamos de informação mais pormenorizada" para não haver tantas dúvidas como as que existem sobre o documento. No
Brasil, quando o despacho de 30 de junho foi publicado, os conselheiros
pediram esclarecimentos ao Consulado-geral de Portugal no Rio de
Janeiro sobre o texto. Além disso, o presidente do CP-CCP referiu que o documento já saiu tarde, muito perto do período de férias dos emigrantes.“Na
data em que o despacho sai já muitos emigrantes portugueses tinham a
sua viagem de férias para Portugal marcada e teste feito”, referiu, mas
como o diploma impõe um prazo de 72 horas antes da viagem, alguns
tiveram de o repetir. Quanto à
possibilidade de quem não conseguir fazer o teste na origem da viagem, o
poder fazer em Portugal, mal entra no aeroporto, "a expensas próprias",
como prevê o diploma, o presidente do CP-CCP considerou que esta é uma
medida também razoável e uma "resposta a uma falha de outros países". O
despacho conjunto 6756-C/2020 de 30 de junho, sobre prorrogação das
medidas restritivas do tráfego aéreo com destino e a partir de Portugal,
com determinadas exceções, é assinado pelos ministros de Estado e dos
Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional, da Administração Interna, da
Saúde, e ainda pelo secretário de Estado Adjunto e das Comunicações.De
acordo com o despacho, os passageiros dos voos oriundo dos EUA e países
de língua portuguesa, "têm de apresentar, no momento da partida,
comprovativo de teste ao covid-19, com resultado negativo, realizado nas
últimas 72 horas antes do embarque, sob pena de lhes ser recusada a
entrada em território nacional".Porém, "os
cidadãos nacionais e cidadãos estrangeiros com residência legal em
território nacional, que excecionalmente não sejam portadores de
comprovativo do teste ao covid-19, com resultado negativo, nos termos do
n.º 5, são de imediato encaminhados pelas autoridades de segurança
competentes para a realização do referido teste a expensas próprias”,
adianta o documento.Na última
quarta-feira, o deputado social-democrata José Cesário questionou o
ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no parlamento,
sobre as condições da entrada em Portugal de cidadãos nacionais
provenientes dos Estados Unidos e de países de língua portuguesa.Em
resposta, o ministro disse que os portugueses e estrangeiros residentes
em Portugal oriundos de países lusófonos ou dos EUA poderão fazer o
teste à covid-19 à chegada ao país, se não o conseguirem realizar antes
da viagem.Em declarações à Lusa, o
deputado explicou que colocou aquela questão ao ministro porque tem
recebido muitas queixas de portugueses, nomeadamente dos que vivem nos
Estados Unidos da América, de que não conseguem realizar e obter o
resultado dos testes nas 72 horas que antecedem a viagem, como é
exigido.O mesmo acontece no Brasil e nos
países africanos de língua portuguesa, referiu o parlamentar
social-democrata, que já ocupou o cargo de secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas em governos anteriores. A
pandemia de covid-19 já provocou mais de 566 mil mortos e infetou mais
de 12,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um
balanço feito pela agência de notícias francesa AFP.Em
Portugal, morreram 1.660 pessoas das 46.512 confirmadas como infetadas,
de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.