Emanuel Silva quer retribuir ao desporto o que este lhe deu como presidente da CAO
7 de mai. de 2025, 16:34
— Lusa/AO Online
Na segunda-feira, Emanuel Silva, de 39 anos,
foi eleito presidente da CAO, sucedendo a João Silva, que também faz
parte da direção. O triatleta tinha substituído Diana Gomes no cargo,
quando a antiga nadadora se tornou secretária-geral do Comité Olímpico
de Portugal.“Acabei por aceitar o desafio
[...]. O legado está muito alto, mas, com esta equipa, temos tudo para
dar continuidade ao legado que foi deixado pela presidente, Diana Gomes,
e por toda a equipa que a acompanhou. Por isso, o desafio será muito
bem enfrentado, com muita motivação, e a equipa está pronta para lutar
por melhores condições para os atletas”, assumiu, em declarações à
agência Lusa. Embora ainda não tenha
tomado posse e a nova direção ainda não tenha reunido, Emanuel Silva,
que deixou o alto rendimento em abril de 2024, prometeu “ser
simplesmente uma voz verdadeira, próxima, que lute por melhores
condições para todos”. “No que diz
respeito ao Emanuel, que eu já sou reformado, digamos assim, é tentar
retribuir ao desporto tudo aquilo que ele me deu. E, felizmente, temos
uma boa equipa e acho que vai ser possível e vai ser bonito de ver como é
que esta comissão também vai trabalhar”, referiu. Esta
nova direção tem “felizmente dois medalhados olímpicos”, com Emanuel
Silva e Fernando Pimenta, que conquistaram a prata em K2 1.000 metros em
Londres2012, além de “quatro pessoas ligadas à área da saúde” e
“atletas de grande nível”. “Não é só por
ser o Emanuel ser presidente que o Emanuel vai estar sozinho. Não. Isto é
uma equipa. Vamos ter de agir como uma equipa, como uma família. Eu
serei o porta-voz de toda a equipa. Acredito que, com os nomes que estão
nesta equipa, poderemos ter ainda mais peso sobre aquelas pessoas que
nos governam e que nos tutelam”, afirmou. Emanuel
Silva acredita que “melhores tempos virão e que as pessoas estão mais
sensíveis para os atletas, para o alto rendimento e para as esperanças
olímpicas”, congratulando-se por haver mais “sensibilidade por parte de
presidentes das federações, membros do Comité Olímpico e principalmente
do governo”, o que “torna tudo muito mais fácil”. “Para
assegurar o Olimpismo, tentar assegurar o alto rendimento, as
esperanças olímpicas, temos que estar todos a remar para o mesmo lado.
Sendo eu antigo atleta de canoagem, aqui põe-se muito em prática isso,
temos que todos remar para o mesmo lado para chegarmos a bom porto e
para continuarmos a ser uma potência mundial a nível desportivo e
chegarmos aos Jogos Olímpicos e ganhar ainda mais medalhas do que aquilo
que ganhámos até hoje”, assegurou. Com
novas eleições legislativas à porta, o desporto não tem sido tema
marcante na campanha eleitoral, mas Emanuel Silva acredita que “poderá
mudar” a perspetiva que o Governo tem sobre o assunto.“Todos
os portugueses, aliás, têm mudado, têm conseguido virar-se ainda mais
para as modalidades, para os Jogos Olímpicos e essa tendência está a
mudar, é bom sinal. E acredito que, seja este governo, seja o governo
que poderá tomar a posse a seguir, não nos vai deixar na mão e vai
querer que os atletas olímpicos, o alto rendimento e as esperanças
olímpicas e o desporto em geral não caiam por água abaixo. Porque
sociedade sem desporto é uma sociedade morta”, alertou.Ainda
sem ter tido oportunidade de falar com o presidente do Comité Olímpico
de Portugal (COP), Fernando Gomes, Emanuel Silva vai liderar a CAO, com o
lançador Francisco Belo a assumir o cargo de vice-presidente e o
nadador Miguel Nascimento o de secretário-geral.Além
de Emanuel Silva, Francisco Belo e Miguel Nascimento, e do
ex-presidente João Silva, foram eleitos para a direção da CAO outros
cinco desportistas: o canoísta Fernando Pimenta, duas vezes medalhado
olímpico (também conquistou o bronze em K1 1.000 metros em Tóquio2020), a
judoca Catarina Costa, a atleta Cátia Azevedo, a nadadora Tamila Holub e
Rui Bragança, já retirado do taekwondo.No
ato eleitoral, que decorreu na segunda-feira na sede do COP, em Lisboa,
exerceram o seu direito de voto 94 atletas, com zero votos brancos e
nulos.Concorreram às eleições, além dos
nove eleitos, Yahima Ramirez (judo), Marcos Freitas (ténis de mesa),
Marta Pen, Marta Onofre e Jéssica Augusto (atletismo).