EMA autoriza nova técnica de injeção da vacina para cobrir mais pessoas
Monkeypox
19 de ago. de 2022, 16:57
— Lusa/AO Online
O
parecer da EMA surge depois de a ‘task force’ de emergência da agência
ter analisado dados sobre aquela vacina e concluído que a mesma,
atualmente só autorizada para injeções subcutâneas (sob a pele), também
poder ser utilizada por via intradérmica (injeção logo abaixo da camada
superior da pele), desde que numa dose menor, apontando que, desta
forma, e face ao “fornecimento atualmente limitado da vacina”, mais
pessoas podem ser vacinadas.A ‘task force’
analisou dados de um ensaio clínico envolvendo cerca de 500 adultos,
que comparou a vacina em função da administração por via intradérmica ou
por via subcutânea – duas doses, com um intervalo de quatro semanas
entre cada dose –, apontando que as pessoas vacinadas por via
intradérmica receberam um quinto (0,1 ml) da dose subcutânea (0,5 ml),
“mas produziram níveis de anticorpos semelhantes aos que receberam a
dose subcutânea mais elevada”.A agência
advertiu que há um maior risco de reações locais – como por exemplo
vermelhidão mais duradoura, e espessamento ou descoloração da pele -
após injeções intradérmicas, aconselhando a utilização de «seringas de
baixo volume morto» para otimizar o número de doses que podem ser
extraídas, e sublinhando também a importância de estas vacinas serem
administradas apenas pelos profissionais de saúde com experiência em dar
injeções intradérmicas.“Tendo em conta
todas estas considerações, as autoridades nacionais podem decidir, como
medida temporária, utilizar Imvanex como injeção intradérmica numa dose
mais baixa para proteger indivíduos em risco durante o atual surto de
varíola macaco, enquanto o fornecimento da vacina permanece limitado”,
lê-se no comunicado divulgado hoje à tarde pela EMA.A
vacina Imvanex foi autorizada pela primeira vez em circunstâncias
excecionais em 2013 para a proteção contra a varíola e, na sequência de
um pedido para alargar a sua utilização, foi autorizada para proteção
contra a doença Mokeypox, ou varíola dos macacos, a 22 de julho passado.A
comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, já saudou a
recomendação de hoje da agência europeia, considerando que a mesma “é
extremamente importante, pois permite a vacinação de cinco vezes mais
pessoas com o fornecimento de vacinas” disponíveis atualmente,
assegurando designadamente “um maior acesso à vacinação aos cidadãos em
risco e aos profissionais de saúde”. “Continuaremos
a coordenar estreitamente a nossa resposta a este surto com os nossos
Estados-membros nas próximas semanas e meses em questões vitais como o
aumento da comunicação de dados, a definição de estratégias de
vacinação, a prestação de informações claras aos nossos cidadãos e a
obtenção de terapêuticas e de mais vacinas”, acrescentou.