Em seis meses 21 beneficiários do RSI nos Açores recusaram propostas de emprego ou formação
2 de set. de 2024, 17:09
— Lusa/AO Online
“No período compreendido entre os
meses de janeiro e junho de 2024, recusaram medidas no âmbito do
emprego e formação profissional 21 beneficiários de RSI”, adiantou o
Governo Regional dos Açores numa resposta a um requerimento do Chega,
acrescentando que, nestes 21 casos, houve "suspensão/cessação do
montante de RSI”.Os deputados do Chega
perguntaram, no início de agosto, ao executivo açoriano quantos
beneficiários do RSI estavam inscritos nos centros de emprego e destes
quantos se recusaram a aceitar ofertas de trabalho e quantos viram a
prestação terminar ou ser suspensa.Em
comunicado de impressa, o partido justificou o requerimento com
denúncias que davam conta de beneficiários do RSI que não estavam a
aceitar as ofertas de trabalho que lhes eram propostas.“Não
podemos continuar a alimentar famílias inteiras que dependem do RSI e
que não se esforçam por trabalhar. Quando o próprio regulamento para
atribuição do RSI diz que as pessoas não podem recusar ofertas de
emprego, não podemos ter quem se dê ao luxo de recusar trabalho porque
está habituado a receber sem fazer nada”, referia o líder parlamentar do
Chega, José Pacheco, citado na nota.Em
resposta ao requerimento, o executivo açoriano revelou que, a 06 de
agosto, existiam na região 7 204 beneficiários de RSI, dos quais mais de
80% na ilha de São Miguel (5 930), a maior do arquipélago.Na
ilha Terceira existiam 806 beneficiários, na Graciosa 171, no Faial 88,
no Pico 88, em São Jorge 49, em Santa Maria 38, nas Flores 33 e no
Corvo um.Em comparação com outubro de
2023, em que, segundo dados divulgados anteriormente pelo Governo
Regional, existiam 8 294 beneficiários, houve uma redução de 1 090
pessoas a receber esta prestação social.Já
face a outubro de 2020, em que existiam 14 494 beneficiários, o número
caiu para menos de metade, havendo menos 7 290 pessoas abrangidas pelo
apoio.Do total de beneficiários do RSI
registados no início de agosto, 1 130 encontravam-se inscritos nos
centros de emprego da região, a grande maioria também na ilha de São
Miguel (963), seguindo-se Terceira (75), Graciosa (25) e Pico (25).Mais
de três quartos dos inscritos tinham entre 30 e 59 anos, sendo a faixa
com mais inscritos a dos 45 aos 49 anos, com um total de 174.Em
resposta ao Chega, que perguntava quantos beneficiários com prestação
suspensa a viram reativada e quanto tempo depois, o executivo açoriano
assegurou que “a suspensão/cessação do montante de RSI ocorrida no
período compreendido entre janeiro e junho de 2024 não deu lugar a nova
atribuição ou a reatribuição de montante de RSI”.Quanto
ao tipo de acompanhamento feito pela Segurança Social aos beneficiários
que viram a prestação suspensa por terem recusado ofertas de trabalho, o
Governo Regional disse que “embora não seja efetuado, na generalidade,
um acompanhamento sistemático e regular às pessoas e agregados
familiares que deixaram de usufruir da prestação de RSI, poderão ser
acionados os meios e as respostas mais adequadas às problemáticas
apresentadas”.O executivo deu como exemplo
“a promoção de ajuda alimentar a agregados familiares com crianças a
cargo e a sinalização para o Centro de Recursos e Apoio Emergência
Social para colmatar necessidades relacionadas com, entre outras, o
vestuário, ajudas técnicas e mobiliário”.“Nas
situações de grande vulnerabilidade social, refletida, sobretudo, nas
famílias com crianças e idosos, onde se verificam patologias ao nível da
saúde, entre as quais do foro mental, devidamente comprovadas através
de declaração médica, é efetuada a avaliação socioeconómica para efeito
de eventual atribuição de apoio económico para aquisição de medicação”,
acrescentou.