Elisa Ferreira diz que Portugal tem de progredir para não necessitar tanto dos fundos europeus
15 de jul. de 2022, 11:00
— Lusa/AO Online
“Mas
se o caminho da reconstrução ainda necessita do apoio dos fundos
estruturais, o objetivo de Portugal, no futuro, tem de ser - e temos de
nos preparar para isso - continuar a progredir não necessitando, pelo
menos não necessitando tanto, destes fundos”, afirmou.A
comissária europeia falava hoje no Fundão, distrito de Castelo Branco,
no âmbito da cerimónia de assinatura, entre o Governo português e a
Comissão Europeia, do acordo de parceria para a execução do Portugal
2030, quadro comunitário em que o país terá acesso a 23 mil milhões de
euros de fundos até 2029.Lembrando que tal
valor equivale a dizer que, durante esse período, o país dispõe de
cerca de 2.200 euros por pessoa, Elisa Ferreira também alertou que tal
obriga a pensar “de uma forma muito estruturada e muito responsável”
quais serão os investimentos a fazer.Ao
longo da intervenção, Elisa Ferreira também salientou que o desafio que
se coloca a Portugal passa por usar os meios para quebrar a “armadilha
do rendimento médio” e conseguir um “progresso mais intenso e mais
rápido, passando para um patamar superior de criação de valor
acrescentado, inovação e competitividade”.O
início do Portugal 2030, a conclusão do anterior Portugal 2020 e o
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) conjugam-se, e já não estou a
falar dos outros fundos, para oferecer a tal oportunidade única de
financiamento para trilhar o caminho do novo modelo de desenvolvimento
social mais equilibrado e sustentável, territorial e economicamente e
assente em múltiplos polos de crescimento. Conjugam-se para permitir
libertar Portugal, assim como espero que aconteça com outros países, da
tal armadilha do rendimento médio”, afirmou.Ainda
assim, deixou o aviso de que os fundos não podem ser vistos como “um
fim em si mesmo”, devendo ser encarados como um “instrumentos poderosos,
que ajudam a levar à prática a visão pretendida para o conjunto do país
e dos seus habitantes”.Elencando as
principais prioridades do acordo de parceria (empresas, emprego,
inclusão social, e equidade regional), Elisa Ferreira também apontou os
principais princípios que devem ser seguidos na execução dos fundos, a
começar pelo “princípio da adicionalidade”, ou seja, que os fundos
complementem o investimento de um país, não sendo substitutos desse
investimento.“Há que utilizar os fundos
para que, com eles e através deles, sejam mobilizados investimentos
adicionais públicos e privados e nunca serem eles uma forma de reduzir o
investimento global”, apontou.Entre os
princípios, acrescentou ainda a questão da ambição, a necessidade de
parceria e empenho de todos, a bem como o rigor e a transparência na
execução”, tendo ainda deixado um elogio ao Governo por ter criado o
portal dedicado ao acompanhamento da aplicação dos fundos.O
Portugal 2030 tem um valor global de 23 mil milhões do próximo quadro
comunitário de apoio, que tem em conta verbas do Fundo Europeu de
Desenvolvimento Regional (11,5 mil milhões de euros), do Fundo Social
Europeu (7,8 mil milhões de euros), do Fundo de Coesão (3,1 mil milhões
de euros), do Fundo para uma Transição Justa (224 milhões de euros) e do
Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (393
milhões de euros), de acordo com a nota do Governo.Na
cerimónia de hoje também fizeram intervenções o primeiro-ministro,
António Costa, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da
Silva, tendo estado presentes vários governantes.