Eletricidade dos Açores propõe aumento salarial de 3,5% e aguarda por resposta dos sindicatos
19 de mai. de 2025, 16:00
— Lusa/AO Online
“Como
estamos comprometidos a fazer uma negociação responsável, que valorize
os nossos trabalhadores, mas não ponha em causa a estabilidade
financeira da empresa para o futuro, que é a única forma de
salvaguardarmos todos os postos de trabalho, apresentámos uma nova
proposta às estruturas sindicais”, afirmou, em declarações à Lusa, o
presidente da EDA, Paulo André, que se reuniu com os dirigentes
sindicais.Os trabalhadores já saíram à rua, em manifestações, por duas vezes, por aumentos salariais.Numa
fase inicial, as propostas dos diferentes sindicatos oscilavam entre 5 e
10%, mas neste momento os trabalhadores reivindicam um aumento salarial
de 4,7%, com um valor mínimo de 53 euros mensais.A
empresa, que propunha inicialmente um aumento de 2,03%, subiu para 2,5%
e hoje apresentou uma “última proposta” de 3,5%, com um valor mínimo
garantido de 47 euros mensais.“É um
esforço significativo da empresa. Este esforço representa só pela
valorização mais 1,2 milhões de euros por ano de custos à empresa”,
salientou Paulo André.O conselho de
administração aguarda até ao final desta semana por uma resposta das
estruturas sindicais, que vão auscultar os trabalhadores.Em
cima da mesa está, no entanto, a possibilidade de haver uma greve às
horas extraordinárias e às deslocações, a partir do dia 02 de junho.“Entendemos
que há espaço para chegarmos a um entendimento com as estruturas
sindicais. Vamos aguardar, com serenidade, pelo resultado da auscultação
aos associados”, apontou o presidente da EDA.Segundo
Paulo André, este é o valor limite que a EDA pode apresentar, até
porque é uma empresa regulada e abrangida pelo mecanismo de compensação
tarifária."Estamos sujeitos a fatores de
eficiência, por parte da entidade reguladora, que se não forem
cumpridos, os nossos sobrecustos não são totalmente cobertos. A rubrica
de custos com pessoal é uma das rubricas onde o regulador não aceita a
totalidade dos seus custos já atualmente”, explicou.Questionado
sobre o facto de os trabalhadores da EDA auferirem salários mais baixos
dos que os praticados nas empresas de eletricidade do continente e da
Madeira, como alegam os trabalhadores, o presidente da empresa disse que
é preciso ter “algum cuidado na comparação”.“Não
nos podemos comparar a uma empresa que opera no território nacional. A
EDP é uma empresa diferente da EDA, é uma empresa internacional e opera
em vários mercados, tem vários negócios, opera tanto no mercado
regulado, como no mercado livre. São dinâmicas diferentes das registadas
nos Açores”, frisou, alegando que na comparação com o tecido
empresarial regional “a conclusão não é a mesma”.O
dirigente do Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (SINDEL)
António Melo disse que “houve uma aproximação” da empresa, mas que serão
os associados a decidir se “aceitam ou não a proposta da EDA”.Um
dos pontos que continuam a gerar insatisfação do sindicato é o valor
mínimo de aumento abaixo dos 53 euros, que representam o aumento do
salário mínimo regional nos Açores.“Acho
que ninguém percebe, nem os nossos clientes que estão a assistir a este
conflito, que não se atribua este valor, numa empresa que tem resultados
positivos”, apontou.“Numa greve todos perdem. Não queremos, mas se tiver de ser será”, acrescentou.Também
o coordenador do Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e
Ilhas (SIESI) Rui Medeiros adiantou que “os sócios serão soberanos
relativamente à decisão”, mas considerou que a proposta ficou “longe do
que era pretendido”.Segundo o
sindicalista, o aumento de 4,7% seria “minimamente justo”, atendendo às
perdas que os trabalhadores têm tido nos últimos anos e à necessidade de
recuperarem algum vencimento.“O mínimo de
53 euros foi a subida do ordenado mínimo regional. Não assegurando este
mínimo, os trabalhadores da EDA com os salários mais baixos vão-se
aproximar ainda mais da remuneração mínima regional, o que não é
admissível na empresa de Eletricidade dos Açores”, sublinhou.