Eleições para Conselho de Estado, Provedor de Justiça e TC podem ser adiadas para 06 de março
Hoje 12:23
— Lusa/AO Online
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parlamentares adiantaram à agência Lusa que este novo pedido de
adiamento partiu desta vez do Chega e terá a concordância do PSD, mas,
para se efetivar, nenhum dos partidos poderá manifestar a sua oposição.Nesse
sentido, o presidente da Assembleia da República, José Pedro
Aguiar-Branco, pediu aos grupos parlamentares que lhe respondam, se aceitam adiar as eleições para o TC, Conselho de
Estado e Provedor de Justiça para 06 de março, com prazo para a entrega
de candidaturas até à próxima quinta-feira, às 18h00.Como
justificação para o adiamento das eleições, para 06 de março – três
dias antes da posse do novo Presidente da República, António José
Seguro, no parlamento –, invoca-se que a nova data permitirá que os
diferentes candidatos, antes de serem submetidos ao voto pelos
deputados, disponham de vários dias de preparação para as audições a
realizar nas comissões parlamentares competentes em razão da matéria.Antes
deste pedido de adiamento, as eleições estavam marcadas para a próxima
sexta-feira e as candidaturas teriam de ser apresentadas até a esta
segunda-feira.Desde o início da presente
legislatura, o parlamento já marcou por várias vezes estas eleições, mas
foram sucessivamente adiadas por ausência de um acordo global entre as
três maiores forças políticas: PSD, Chega e PS.Uma
situação que desagrada ao presidente da Assembleia da República, José
Pedro Aguiar-Branco, que tem apelado a um esforço de consenso, e que
mereceu já duras críticas por parte do Presidente da República eleito,
António José Seguro.No início de janeiro,
António José Seguro considerou “inacreditável” que os membros do
Conselho de Estado e juízes do Tribunal Constitucional ainda não
tivessem sido eleitos pelo parlamento e questionou “o que está por trás”
do adiamento dessas eleições para depois das eleições presidenciais.Nestas
negociações, em virtude da atual configuração parlamentar, o PSD é o
partido central, já que nenhuma maioria de dois terços pode ser formada
no parlamento sem a participação dos sociais-democratas. E as eleições
do Provedor de Justiça e dos três juízes do Tribunal Constitucional
requerem precisamente maiorias de dois terços.Com
a nova formação do parlamento resultante das legislativas antecipadas
de 18 de maio de 2025, deixou de haver uma maioria de dois terços - 154
deputados em 230 - formada apenas pelos eleitos de PSD e PS, ou da AD
(PSD/CDS-PP) e do PS. E a AD também não forma dois terços só com o
Chega, a segunda maior bancada parlamentar, sendo necessário um
entendimento que envolva no mínimo três forças políticas.O
lugar de Provedor de Justiça está por preencher desde o início da
legislatura, quando Maria Lúcia Amaral passou a desempenhar as funções
de ministra da Administração Interna.No
que respeita ao Tribunal Constitucional, funciona agora apenas com 11
juízes, em vez de 13, até que haja novos eleitos pelo parlamento. E,
entre esses 11 juízes que se encontram em funções, um já completou os
nove anos de mandato.O Conselho de Estado,
órgão político de consulta do Presidente da República, inclui entre os
seus membros "cinco cidadãos eleitos pela Assembleia da República, de
harmonia com o princípio da representação proporcional, pelo período
correspondente à duração da legislatura".Na
atual legislatura, o PSD tem 89 deputados, o Chega 60, o PS 58, a IL
nove, o Livre seis, o PCP três, o CDS-PP dois, e BE, PAN e JPP um cada.À
partida, se os respetivos deputados participarem todos na eleição para o
Conselho de Estado, o PSD tem assegurados dois dos cinco mandatos, e o
Chega e o PS um cada. A atribuição do quinto mandato é mais incerta e
depende do número de listas concorrentes e de eventuais alianças ou
apoios de outros partidos, podendo variar por uma questão de um ou dois
votos.