Eleições antecipadas em Itália previstas para 25 de setembro

21 de jul. de 2022, 18:10 — Lusa/AO online

A data foi proposta pelo demissionário primeiro-ministro e a sua ministra do Interior, Luciana Lamorgese, esta tarde em reunião do Conselho de Ministros, e comunicada ao Presidente, Sergio Mattarela, que havia já decretado o fim da atual legislatura, de acordo com a agência italiana ANSA.Draghi e a ministra do Interior comunicaram a data acordada ao chefe de Estado, a quem compete emitir um segundo decreto com a convocatória. A decisão da antecipação das eleições foi tomada pelo Presidente, que anunciou a dissolução do Parlamento, eleito em março de 2018, e o fim da legislatura, oito meses antes do previsto.Os líderes do Senado e da Câmara dos Deputados Maria Elisabetta Alberti Casellati e Roberto Fico, respetivamente, deslocaram-se hoje à tarde ao Palácio do Quirinal (em Roma), a sede da Presidência italiana, para marcar o início do processo da dissolução antecipada das duas câmaras do parlamento, como previsto no artigo 88.º da Constituição italiana. O encurtamento desta legislatura é o epílogo da demissão de Draghi, que continua no cargo até à formação do novo Governo.O chefe de Estado - que já aceitara com relutância um segundo mandato, em janeiro, devido ao clima de confronto político - pediu aos dirigentes políticos que pensem no país, na fase que se segue."Espero que, na intensa e por vezes aguda dialética da campanha eleitoral, todos deem uma contribuição construtiva no melhor interesse da Itália", pediu o Presidente, para o período de campanha que antecede as eleições marcadas para 25 de setembro.Draghi presidiu a uma coligação de unidade nacional, nos últimos 17 meses, desde fevereiro de 2021, quando foi indicado para gerir a crise da pandemia de covid-19 e a recuperação económica do país, após a queda do seu antecessor, Giuseppe Conte, líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), que agora esteve na base da atual crise política.A coligação foi apoiada por praticamente todos os partidos com assento parlamentar, da esquerda à extrema-direita, exceto pelo movimento Irmãos da Itália, de extrema-direita, de Giorgia Meloni.Na semana passada, Draghi anunciou que não queria continuar a governar sem o apoio do M5S, quando este partido se absteve numa primeira moção de confiança.Nessa altura, Mattarella rejeitou o pedido de renúncia e pediu a Draghi para tentar novas soluções políticas, com o devido apoio no Parlamento.Na quarta-feira, o primeiro-ministro venceu uma segunda moção de confiança, mas perdeu o apoio de três dos partidos que apoiavam a sua coligação - o M5S; o Forza Italia, de Silvio Berlusconi, e a Liga, de Matteo Salvini - o que justificou uma nova visita ao Presidente, para lhe reiterar o pedido de demissão.Perante este cenário, a Itália prepara-se para uma campanha eleitoral atípica, pois é a primeira a ter lugar em pleno verão, e que se prevê também curta, intensa e muito dura, sobretudo devido ao intenso confronto entre os partidos, com vínculos muito desgastados após esta conturbada legislatura.