Egito reinicia campanha de deportação de refugiados
Migrações
Hoje 17:42
— Lusa/AO Online
Num
comunicado, a organização não-governamental (ONG) afirmou que esta
prática constitui uma “violação flagrante do princípio de não rejeição” e
até da lei de asilo do Egito, que proíbe o regresso de pessoas
reconhecidas como refugiadas.Segundo a
Amnistia Internacional, entre os detidos e deportados pelas autoridades
egípcias estão pessoas registadas no Alto Comissariado das Nações Unidas
para os Refugiados (ACNUR).As autoridades
egípcias têm aplicado estas medidas contra os refugiados nos últimos
anos, mas a campanha intensificou-se desde o final de dezembro de 2025 e
afeta sobretudo cidadãos da Síria, Sudão, Sudão do Sul e de outros
países da África subsariana, que são detidos arbitrariamente nas ruas ou
nos respetivos locais de trabalho.Em
janeiro passado, mais de um milhão de refugiados e requerentes de asilo
estavam registados no ACNUR, enquanto o Governo egípcio afirma que
existem cerca de 10 milhões de "hóspedes" no país — termo usado para se
referir aos estrangeiros — e denuncia o fardo que representam para as
finanças públicas.Esta situação gerou
pânico entre os refugiados no Egito, que foram obrigados a
"esconderem-se nas suas casas" e a minimizar as suas deslocações por
medo de serem presos na rua, vivendo num limbo jurídico sem acesso a
trabalho ou educação, de acordo com a Amnistia Internacional.Embora
não existam estatísticas oficiais, a ONG de defesa dos direitos humanos
documentou a detenção arbitrária de 22 refugiados e requerentes de
asilo entre o final de dezembro e o início de fevereiro deste ano em
quatro províncias egípcias. Quase todos estavam registados no ACNUR, e
um cidadão sírio foi deportado.Segundo a
Amnistia Internacional, desde o início da guerra no Sudão, em abril de
2023, as autoridades egípcias intensificaram as verificações de
identidade de estrangeiros e detiveram aqueles que não tinham
documentação.As autoridades egípcias
contrapõem esta versão e afirmam que os cerca de 1,5 milhões de
sudaneses que fugiram do conflito recebem o mesmo tratamento que os
egípcios.Estas detenções ocorrem enquanto
os refugiados ou requerentes de asilo têm marcações com a administração
egípcia para renovar a autorização de residência, um processo que é
muitas vezes arrastado por meses ou anos devido ao grande número de
pedidos e à lentidão do procedimento, deixando milhares de pessoas num
limbo jurídico.As pessoas com documentação
de refugiado do ACNUR também correm o risco de serem detidas, apesar do
princípio de não rejeição proibir o envio de qualquer pessoa para um
local onde enfrente um perigo real de graves violações dos direitos
humanos. Muitos destes refugiados não têm para onde regressar, devido à
destruição das respetivas cidades de origem. A
Amnistia Internacional denunciou que esta onda de repressão no Egito
tem "consequências devastadoras" para as famílias, que vivem em
constante medo.Por esse motivo, a Amnistia
Internacional apelou à União Europeia (UE) — parceiro próximo do Egito
em matéria de migração e principal doador do ACNUR — para que "exorte o
Governo egípcio a adotar medidas concretas e verificáveis para proteger
os direitos dos refugiados e migrantes", assim como para permitir o
acesso da ONU aos centros de detenção."A
UE e outros Estados devem também reforçar a partilha de
responsabilidades, expandir as oportunidades de reinstalação e criar
vias seguras e regulares para as pessoas que necessitam de proteção
internacional", afirmou ainda a ONG.