Efetivo da PSP/Açores totaliza 769 elementos "em funções operacionais" após reforço
24 de ago. de 2022, 08:37
— Lusa/AO Online
Na pergunta dirigida ao MAI, os deputados do
PSD questionavam qual “o balanço final (diferencial) à presente data do
efetivo total de agentes em missões operacionais da PSP (excetuando os
agentes em funções administrativas ou de retaguarda) nos Açores, em
comparação com o efetivo em missões operacionais em janeiro de 2021”.No
mesmo documento, datada de 11 de julho, os social-democratas alertavam
que os Açores “são a única região do país que não é abrangida pelo
sistema de vigilância de costa”.Na
resposta, a que a Lusa teve hoje acesso, o MAI indica ainda que estão
“em desenvolvimento os procedimentos para a materialização” do projeto
SIVICC [Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo] Ultra,
prevendo-se a concretização “até ao final do primeiro trimestre de
2023”. “No que respeita ao SIVICC Ultra,
não obstante os constrangimentos decorrentes da inexistência de
Orçamento do Estado na primeira metade de 2022, já se encontram em
desenvolvimento os procedimentos para a materialização deste projeto”,
afirma.Por outro lado, a tutela recorda
que o Governo criou recentemente a Comissão de Análise Integrada da
Delinquência Juvenil e da Criminalidade Violenta, “tendo como finalidade
principal a apresentação de propostas tendo em vista a diminuição da
delinquência juvenil e da criminalidade violenta, em particular da sua
severidade”. “A equipa multidisciplinar,
que reúne diversos especialistas e parceiros institucionais, irá
envolver, ao longo dos seus trabalhos, outras entidades, nomeadamente da
sociedade civil e peritos para completar esta análise, que se quer o
mais compreensiva possível”, acrescenta.As
perguntas do grupo parlamentar do PSD tinham por base o Relatório Anual
de Segurança Interna referente ao ano de 2021 aprovado pelo Conselho
Superior de Segurança Interna, e os deputados indicavam que, “na
delinquência juvenil - menores entre os 12 e os 16 anos - a tendência
verificada em 2021 mostra um agravamento no número de crimes violentos a
envolver suspeitos dentro destas faixas etárias”. “Nas participações registadas neste tipo de crime, destacam-se os Açores no pódio das três maiores subidas”, alertavam.Com
base no mesmo relatório, os social-democratas notavam que “foram
participados em 2021 nos Açores 9.998 crimes, mais 735 crimes do que em
2020, o que representa um aumento de 7,9%”.“Muito
significativo foi o aumento da criminalidade violenta nos Açores no ano
passado. As 220 participações feitas nas autoridades policiais
representam um crescimento de 14,6% em relação a 2020. Os Açores foram
mesmo a quinta região do país em que mais aumentou, em termos de
percentagem, a criminalidade violenta e grave em 2021”, especificaram.O
MAI lembra que 2020 e 2021 “foram anos atípicos, devido aos efeitos da
pandemia [covid-19]”, pelo que se deve “ter por referência o ano de
2019”. “Apesar disso, importa salientar
que, nos primeiros seis meses de 2022, houve uma descida considerável da
criminalidade geral, com menos 331 crimes, o que corresponde a uma
diminuição de 6,9%”, destaca o ministério.Quanto
à vigilância da costa, os deputados indicavam que já “foram feitos os
estudos prévios das localizações para a instalação dos radares e dos
sistemas óticos que compõem a vigilância de costa, que é um instrumento
técnico essencial e particularmente eficaz no combate ao tráfico de
droga que entra nos Açores por via marítima, em praias e zonas costeiras
recônditas e sem presença regular de vigilância das autoridades”. “É também essencial à garantia de proteção ambiental e combate à pesca ilegal na orla costeira das ilhas”, destacavam.O
PSD assinalava ainda que “o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em
andamento, e a terminar em 2026, é uma oportunidade única para realizar
este investimento e que não pode ser desperdiçada, é absolutamente
inaceitável que os Açores sejam a única região do país que não tem
Sistema de Vigilância de Costa”.