Educação e pobreza nos Açores precisam de “investimento acrescido”
20 de out. de 2025, 15:40
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas após a votação por unanimidade do parecer
do CESA às antepropostas de Plano e Orçamento para 2026, a líder daquele
organismo representativo dos parceiros sociais alertou que a região tem
uma das taxas de risco de pobreza “mais elevadas do país” e que a
escolarização “ainda não atinge a população nos níveis desejados”.“Esta
dimensão dos fatores estruturais do nosso desenvolvimento, que ainda
necessitam de investimento acrescido, é algo que nos preocupa do ponto
vista do enquadramento deste Plano e Orçamento”, afirmou Piedade
Lalanda, em Ponta Delgada.Segundo o
relatório “Pobreza e Exclusão Social 2025”, do Observatório Nacional de
Luta Contra a Pobreza, divulgado na sexta-feira, os Açores permanecem
como a região mais vulnerável do país, com 28,4% da população em risco
de pobreza ou exclusão social.Piedade
Lalanda mostrou preocupação com o abandono escolar registado da região e
defendeu, também, a necessidade de combater a falta de habitação,
lembrando que só existe uma cooperativa de habitação ativa no
arquipélago.A presidente do CESA
congratulou-se com a transferência extraordinária de 150 milhões de
euros do Orçamento do Estado, mas adiantou que a região ainda vai
precisar de contrair dívida.“Isso não vai
invalidar que a região sinta necessidade de se endividar em mais 75
milhões de euros como foi aqui afirmado pelo senhor secretário das
Finanças”, disse.A socióloga elogiou o
aumento do Produto Interno Bruto e a redução da taxa de desemprego, mas
discordou da redução das verbas previstas para a Agricultura e Pescas na
anteproposta de Orçamento para o próximo ano.“Preocupa
pensar o futuro dos Açores quando nós desaceleramos ou desinvestimos em
setores estruturais da nossa economia, como é a agricultura e as
pescas, e apostamos muito mais no setor dos serviços na área do
turismo”, defendeu, alertando que a economia regional está assente em
“baixos salários”.Já o presidente da
comissão de Economia do CESA classificou os próximos Plano e Orçamento
como os “mais ambiciosos de sempre da história”, devido ao investimento
público e à necessidade de executar o Plano de Recuperação e Resiliência
e o Programa Açores 2030.Gualter Couto
salientou que os documentos preveem um “investimento público na ordem
dos 1.191 milhões de euros, mais 20% do que está previsto para o
corrente ano”.“Isso levanta preocupações
quanto à exequibilidade e sustentabilidade financeira regional porque
vai implicar, naturalmente, um planeamento rigoroso da parte do governo,
uma gestão prudente na área da tesouraria e uma cooperação
interinstitucional forte”, vincou.O
economista destacou que está previsto um défice de cerca dos 155 milhões
de euros, “apesar do aumento das receitas e das transferências, quer do
Estado português, quer da União Europeia”.A
anteproposta de Plano dos Açores para 2026 atinge os 990,9 milhões de
euros, mais 172 milhões face a 2025, prevendo-se um crescimento de 2% do
Produto Interno Bruto (PIB) e um endividamento até 150 milhões de
euros.Os documentos vão ser discutidos e votados na Assembleia Regional em novembro.