Eduardo Cabrita afirma que não é "um diretor de Polícia" que anuncia reforma do SEF
14 de dez. de 2020, 12:06
— Lusa/AO Online
O
diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), Manuel Magina
da Silva, admitiu hoje que está a ser trabalhada a fusão da PSP com o
SEF, acrescentando que abordou a questão com o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa.Em declarações à
agência Lusa, Eduardo Cabrita referiu que o Programa do Governo prevê
"uma separação orgânica clara entre funções policiais e funções
administrativas de autorização e documentação de imigrantes do SEF". O
ministro da Administração Interna apontou depois que tem decorrido um
trabalho "envolvendo as forças de segurança sobre a redefinição do
exercício das funções policiais nestas áreas de gestão de fronteiras e
de combate às redes de tráfico humano". "Esta
é uma matéria que o Governo está a trabalhar, envolvendo diretamente o
primeiro-ministro [António Costa], os ministérios da Administração
Interna, dos Negócios Estrangeiros, da Justiça e a Presidência do
Conselho de Ministros. É é neste quadro de envolvimento direto do
primeiro-ministro e de quatro áreas governativas que teremos brevemente,
de modo adequado, a explicitação daquilo que é a forma de dar expresso
cumprimento ao Programa do Governo", afirmou o membro do executivo.Como
tal, acentuou Eduardo Cabrita, estas matérias, "obviamente, com todo o
respeito, não são anunciadas por diretores de Polícia".Interrogado
se poderá confirmar-se a possibilidade de criação de uma polícia
nacional, com a extinção da PSP e do SEF, seguindo-se o modelo espanhol
ou francês, o ministro da Administração Interna respondeu: "Não
confirmou nem desminto"."O que decorre do
Programa do Governo é a separação de funções policiais e de funções
administrativas no SEF, o que envolve uma redefinição do exercício de
competências das várias forças de segurança. Envolve a PSP, a GNR e
Polícia Judiciária", afirmou.Neste quadro,
e face à dimensão externa que o papel do SEF possui - já que representa
Portugal na guarda costeira e de fronteiras europeia, que terá novos
poderes a partir de janeiro, coincidindo com a presidência portuguesa do
Conselho Europeu -, "este processo tem de envolver o primeiro-ministro,
pela sua função de coordenação do Governo, os ministérios da
Administração Interna, da Justiça, da Presidência e também o Ministério
dos Negócios Estrangeiros", explicou."Portanto,
temos uma dimensão ampla que está a ser trabalhada pelo Governo e que,
no momento adequado e da forma adequada, será dada a conhecer aos
portugueses", acrescentou o ministro da Administração Interna.