EDP Comercial aumenta fatura do gás das famílias em média 30 euros em outubro
25 de ago. de 2022, 08:51
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência Lusa, a presidente
executiva da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, anunciou a decisão de
aumentar o preço do gás natural "em média, 30 euros na fatura dos
clientes" residenciais, os quais são acrescidos de "cinco a sete euros
de taxas e impostos".Para os cerca de
433.300 (dois terços) dos 650.000 clientes residenciais, que representam
os consumos mais baixos, a subida do preço do gás terá um impacto médio
de 18 euros mensais, antes de taxas e impostos, ou seja, o aumento
rondará os 22 euros.A EDP Comercial
justificou a decisão com a escalada de preços do gás nos mercados
internacionais, nos últimos meses, uma situação que foi agravada pela
guerra na Ucrânia e as restrições ao abastecimento de gás russo, o que
fez também aumentar o preço em outros mercados, como, por exemplo, no
gás proveniente da Argélia."Isto é algo
que foi crescendo ao longo dos últimos meses, não obstante a EDP manteve
as condições de preço para clientes finais residenciais", apontou Vera
Pinto Pereira.Contudo, prosseguiu, "12
meses depois e perante este cenário no mercado internacional, no
contexto internacional onde compramos o gás que fornecemos às famílias
portuguesas, esta atualização de preços tornou-se inevitável"."O
preço de gás fixado há 12 meses, sem nenhuma alteração ao longo de um
ano, foi muito importante, até face a outras ofertas de mercado, porque
permitiu ter alguma poupança, mas, um ano depois, tendo em conta o novo
contexto - nós não produzimos gás, nós temos de o comprar em mercado
- temos que fazer repercutir isto [a subida nos mercados grossistas]",
vincou a presidente executiva.Os novos
preços entram em vigor no dia 01 de outubro e, ao contrário do que é
habitual, vão estar em vigor durante três meses, e não durante um ano."Excecionalmente,
nesta altura, vamos fazer uma alteração e o objetivo é podermos
acompanhar, assim que possível, uma correção desta tendência de
mercado", explicou a responsável, sublinhando que o preço poderá ser
revisto ao fim dos três meses, em alta, ou em baixa.Vera
Pinto Pereira realçou que a empresa está a desenvolver "todos os
esforços para que o ajuste seja para baixo", garantindo a estabilidade
de abastecimento de gás aos clientes e continuando a trabalhar no
aprovisionamento, para conseguir condições mais vantajosas nos mercados
onde compram a matéria-prima.Questionada
sobre se espera compreensão por parte dos clientes, Vera Pinto Pereira
destacou a importância de "dar a melhor informação possível de
contexto", nas cartas enviadas aos clientes, "para que possam
compreender aquilo que está a acontecer e possam compreender que a EDP
não ganha nada com esta situação"."A nossa
máxima preocupação é o cliente final e são as famílias portuguesas e,
portanto, iremos tentar reverter isto assim que possível", sublinhou a
presidente executiva.A responsável
rejeitou também receio de perder clientes para a concorrência. "O
mercado é livre e, portanto, acho que faz parte", afirmou.A
empresa deu ainda conta da possibilidade de clientes com dificuldades
em pagar as suas faturas pedirem planos de pagamento, para fazer o
pagamento faseado.Desde a última
atualização feita pela EDP Comercial, para o ano-gás que vigora até 30
de setembro, que teve impactos entre seis e 19 cêntimos nas faturas das
famílias, o preço daquela matéria-prima nos mercados grossistas aumentou
1.000%, ou seja, multiplicou por 10.Os
preços do gás natural para os consumidores em mercado regulado também
irão aumentar em outubro, em 3,9% em relação ao mês anterior, segundo
anunciou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), em
junho.Assim, em 01 de outubro irá
registar-se um aumento de 8,2% para o ano 2022-2023, face ao ano
anterior (2021-2022) adiantou a ERSE, ressalvando que "tendo presente as
atualizações da tarifa de energia ao longo de 2022, os consumidores em
mercado regulado irão observar em outubro de 2022 um aumento médio de
3,9% face ao mês anterior".Estas
atualizações dizem respeito às tarifas de venda ao segmento doméstico
(consumos inferiores ou iguais a 10.000 m3/ano) que ainda estão no
mercado regulado.Em julho, os preços
também foram alvo de uma atualização, aumentando 3,3%. Assim, a partir
do mês passado, a fatura de um casal sem filhos com consumo anual de 138
m3 aumentou 0,33 euros, sendo que para um casal com dois filhos
(consumo anual de 292 m3) o aumento médio é de 0,70 euros. Em outubro,
no primeiro caso há um acréscimo de 0,48 euros e no segundo 0,87 euros
em média, face a setembro, segundo a ERSE.