Economia portuguesa cresce 6,7% em 2022, o valor mais alto desde 1987
31 de jan. de 2023, 08:40
— Lusa/AO Online
O crescimento de 6,7% do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2022 situa-se uma décima abaixo da previsão do Governo, já que
o ministro das Finanças, Fernando Medina, se tinha afirmado convicto,
no final de dezembro, que Portugal iria finalizar “o ano de 2022 com um
crescimento [da economia] de cerca de 6,8%”.Esta
taxa fixa-se, contudo, acima dos 6,5% estimados no Orçamento do Estado
para 2023 (OE2023), que deu entrada no parlamento em outubro passado.Segundo
o INE, “no conjunto do ano 2022, o PIB registou um crescimento de 6,7%
em volume, o mais elevado desde 1987, após o aumento de 5,5% em 2021 que
se seguiu à diminuição histórica de 8,3% em 2020, na sequência dos
efeitos adversos da pandemia na atividade económica”.A
maioria dos economistas das principais instituições nacionais e
internacionais esperavam que o PIB português tivesse crescido entre 6,5%
e 6,8% em 2022, uma revisão em alta face ao que se chegou a projetar
após o despoletar da guerra na Ucrânia.O
Banco de Portugal (BdP) era o mais otimista, após, ao longo do ano
passado, ter revisto sucessivamente em alta a perspetiva de crescimento
do PIB português: em março cortou as previsões para 4,9%, em junho
melhorou para 6,3%, em outubro para 6,7% e em dezembro para 6,8%. Já
as projeções das restantes instituições eram semelhantes: o Conselho
das Finanças Públicas (CFP) esperava uma expansão de 6,7% da economia
portuguesa, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE)
6,7% e a Comissão Europeia 6,6%. Já o Fundo Monetário Internacional
previa um crescimento do PIB de 6,2%.A
explicar a evolução registada no ano passado está, segundo o INE, "um
contributo positivo expressivo" da procura interna, embora “inferior ao
observado no ano anterior”, verificando-se ainda “uma aceleração do
consumo privado e um abrandamento do investimento”. Já
o contributo da procura externa líquida “foi positivo em 2022, após ter
sido negativo em 2021”, tendo-se registado “uma aceleração em volume
das exportações de bens e serviços e uma desaceleração das importações”.No
quarto trimestre de 2022, o PIB cresceu 3,1% em termos homólogos
(desacelerando face aos 4,9% do terceiro trimestre) e 0,2% em cadeia
(0,4% no trimestre anterior). Em termos
homólogos, o contributo da procura interna para a variação homóloga do
PIB “diminuiu no quarto trimestre, verificando-se uma desaceleração do
consumo privado e uma redução do investimento”. O contributo positivo da
procura externa líquida também diminuiu, tendo as exportações de bens e
serviços em volume “desacelerado mais intensamente que as importações”.O
INE nota ainda que, no quarto trimestre de 2022, se observou “uma perda
dos termos de troca em termos homólogos, mas menos intensa que as
perdas observadas desde o segundo trimestre de 2021, em resultado da
desaceleração mais pronunciada do deflator das importações que o das
exportações”.Já comparando com o terceiro
trimestre de 2022, o PIB aumentou 0,2% em volume, tendo “diminuído o
contributo positivo” da procura interna para a variação em cadeia do
PIB, enquanto o contributo da procura externa líquida se manteve
“ligeiramente negativo”.De acordo com o
INE, a estimativa rápida hoje divulgada “incorpora nova informação
primária, nomeadamente no que se refere ao comércio internacional de
bens relativo ao terceiro trimestre de 2022, que, contudo, não implicou
revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB divulgadas na
edição das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional de 23
de dezembro de 2022”.