Ecomuseu ajuda a preservar barreta do Corvo com ensino gratuito uma vez por semana
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
Desde
2022 que todas as quartas-feiras, durante a tarde, nas instalações do
Ecomuseu da mais pequena ilha açoriana, decorre o ‘workshop’ a “Hora da
Barreta”, que tem frequência livre e se destina a participantes de ambos
os géneros.“É como o próprio nome indica.
É uma hora, à quarta-feira, em que as pessoas interessadas em aprender a
fazer a barreta típica do Corvo se reúnem nas nossas instalações e, num
ambiente descontraído, aprendem connosco a fazer a barreta típica”,
explicou hoje à agência Lusa a diretora do Ecomuseu do Corvo, Deolinda
Estêvão.Segundo a responsável, a
iniciativa tem sido procurada tanto por mulheres como por homens, tendo
em conta que o típico gorro de lã começou a ser feito pelos homens
baleeiros, no século XIX, por influência de pescadores escoceses, tendo
depois transmitido o saber às respetivas mulheres.“O
ano passado tivemos um projeto em articulação com a escola, em que um
professor e um aluno frequentaram também a formação e, este ano, temos
um jovem italiano que também gostou desta formação e tem estado a
aprender a fazer a barreta típica do Corvo”, disse.O
saber foi transmitido ao Ecomuseu por Rosa Mariana, uma habitante da
ilha cuja mãe é considerada a “grande responsável” pela sua manutenção.“A
barreta típica do Corvo é exclusiva aqui da ilha do Corvo e esse saber
fazer foi-se mantendo. E nós, agora, estamos a replicá-lo para que as
novas gerações também aprendam e para que ele se mantenha vivo, porque,
de facto, é uma forma de fazer a barreta diferente de qualquer outra
barreta de qualquer outro ponto do país e mesmo do mundo”, disse
Deolinda Estêvão.Patrícia Pacheco,
colaboradora do Ecomuseu, aprendeu a fazer a boina corvina com a
diretora e, agora, todas as quartas-feiras dá “aulas” a quem tiver
interesse em aprender.Numa recente “Hora
da Barreta”, realizada na Casa da Memória, contou à Lusa que já ensinou
mulheres, crianças e dois homens, sendo o último o italiano Alessandro
Vito, de 30 anos.O primeiro, um professor,
“não chegou a fazer a barreta, apenas ficou pelo aprender a fazer o
ponto, enquanto o Alessandro está a concluir a sua barreta”, relatou.Questionada se há diferenças entre ensinar homens e mulheres, disse que é “indiferente” e que aprendem por igual.O
jovem italiano, que chegou ao Corvo para aprender a trabalhar com
madeira, rapidamente se interessou pela barreta, para ocupar algum do
tempo livre.Foi a primeira vez que pegou
numa agulha e em lã, mas disse à Lusa que gostou da experiência: “Sim,
estou a gostar. No princípio, parecia-me bastante difícil, mas, depois,
[fui] praticando em cada dia, [e] agora é mais fácil. E também me
relaxa”.Conhecendo a história da típica
barreta açoriana, Alessandro sente-se orgulhoso por poder dar
continuidade a uma prática artesanal que foi iniciada por homens.Fazer
um gorro típico do Corvo leva “muitas voltas” e demora cerca de 24
horas. São utilizadas cinco agulhas, como contou a formadora Patrícia
Pacheco.A feitura da peça começa com o “cós” e termina com o “pompom”, uma bola de lã que é cozida no topo.A
cor típica da barreta é o azul e o branco, mas atualmente são
confecionadas unidades com outras cores, consoante o gosto de cada um.Trata-se de um artigo artesanal muito procurado pelos turistas e é vendido a partir de 45 euros.Neste
momento são cinco as artesãs que fazem a barreta típica do Corvo, um
produto que “vai para todo o mundo”, segundo Deolinda Estêvão.“Sei
que aqui ao Corvo vêm turistas de todo o mundo e procuram muito. É uma
das memórias que as pessoas que visitam o Corvo querem levar consigo e,
de facto, ela é exclusiva”, concluiu.A barreta está certificada pela marca coletiva “Artesanato dos Açores” desde 2019.Segundo
o Governo Regional, as boinas tradicionais “eram usadas pelos homens
mais velhos” e “seriam originalmente traje de baleeiros”.“Terá
sido por influência dos pescadores escoceses que os corvinos aprenderam
a fazê-las. Este mesmo tipo de boina foi produzido na Escócia desde o
século XVI, época de que se conservam alguns exemplares, e o seu modelo e
método de confeção persiste inalterado desde então”, indicou fonte da
Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego.