ECDC estima que variante Delta represente 90% dos casos na UE em agosto
Covid-19
14 de jul. de 2021, 15:14
— Lusa/AO Online
Na
nota de imprensa conjunta divulgada pelo ECDC e pela Agência
Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), as duas instituições
reiteram que “a vacinação continua a ser uma das melhores medidas de
proteção contra a covid-19” e alertam para a maior transmissibilidade da
variante Delta, estimada em 40% a 60% superior face à anterior variante
Alpha, que foi a primeira grande variante de preocupação no espaço
comunitário.“A
variante Delta (B.1.617.2) é uma variante de preocupação que se está a
espalhar rapidamente na Europa e que pode dificultar seriamente os
esforços para controlar a pandemia”, reconheceram os dois organismos,
que assinalaram também que a mutação do vírus inicialmente detetada na
Índia “pode estar associada a um maior risco de hospitalização”.Perante
a estimativa de uma predominância de 90% a nível comunitário no próximo
mês, o ECDC reiterou que este cenário “torna essencial que os países
acelerem os programas de vacinação”, nos quais se inclui a “entrega de
segundas doses quando recomendado” e a supressão de lacunas de imunidade
no seio das respetivas populações, de forma a minimizar também o espaço
para o desenvolvimento de novas estirpes do vírus.EMA
e ECDC evocam ainda dados preliminares de estudos já realizados que
apontam a toma das duas doses das vacinas da Pfizer/BioNTech,
AstraZeneca ou Moderna como necessária para a obtenção de uma “proteção
adequada” em relação à variante Delta. Nesse sentido, a adesão ao
esquema vacinal recomendado é considerada “vital” para garantir uma
resposta mais robusta contra o SARS-CoV-2.No
entanto, as duas agências europeias destacaram também a existência de
uma dezena de Estados-membros da UE onde aproximadamente 30% ou mais das
pessoas com idade superior a 80 anos não têm ainda a vacinação
completa.“Para
proteger os indivíduos frágeis e idosos em locais fechados, tais como
doentes hospitalizados ou residentes em instalações de cuidados a longo
prazo, é necessário mais trabalho nalguns países para aumentar a
utilização de vacinas entre profissionais de saúde e o pessoal dessas
instituições. A EMA e o ECDC encorajam os profissionais de saúde e de
cuidados a aceitarem ofertas de vacinação o mais rapidamente possível”,
pode ler-se no comunicado.Segundo
a EMA e o ECDC, as estratégias de vacinação podem ser adaptadas pelos
países consoante as suas circunstâncias, nomeadamente ao nível do
“intervalo entre a primeira e a segunda dose, com base na situação
epidemiológica e na circulação de variantes, e na evolução das provas
sobre a eficácia da vacina contra variantes”. Já
sobre a utilização de uma vacina diferente para a segunda dose, as duas
instituições sublinham os “bons fundamentos científicos para esperar
que esta estratégia seja segura e eficaz” em relação à covid-19, como já
ocorreu noutras patologias no passado, e realçam os indícios de “uma
resposta imunológica satisfatória” em estudos preliminares efetuados no
Reino Unido, Espanha e Alemanha. Contudo,
ambas admitem que “não estão em posição de fazer quaisquer
recomendações definitivas” sobre a utilização de diferentes vacinas
contra a covid-19 para as duas doses.