ECDC apoia vacinação de crianças e quer as que correm risco em grupo prioritário
1 de dez. de 2021, 17:44
— Lusa/AO online
Em
causa está um relatório do ECDC com considerações de saúde pública para
apoiar as autoridades da UE e Espaço Económico Europeu (UE/EEE) a tomar
decisões sobre a administração de vacinas anticovid-19 a crianças mais
pequenas, após o aval da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para
esta extensão, na semana passada.No
documento hoje publicado, o ECDC conclui que “as crianças com idades
compreendidas entre os 5 e os 11 anos que correm risco grave de covid-19
devem ser consideradas um grupo prioritário para a vacinação, tal como
em outros grupos etários”, segundo informação à imprensa.“As
taxas de hospitalização e a proporção de casos hospitalizados com
covid-19 em crianças dos 5 aos 11 anos de idade aumentaram, de acordo
com os casos noutros grupos etários, mas permanecem em níveis muito mais
baixos do que em adultos”, informa esta agência europeia, de
recomendações aos países, em comunicado.Para
o ECDC, “as crianças sem fatores de risco conhecidos são também
suscetíveis a doenças graves e hospitalização, pelo que se poderia
considerar a vacinação de todas as crianças entre os 5 e 11 anos de
idade, tendo em conta a situação epidemiológica do SARS-CoV-2 ao nível
nacional”.Quanto
aos efeitos da vacinação desta faixa etária, o centro europeu indica
que, “para a transmissão do vírus a nível comunitário, espera-se que o
impacto da vacinação para crianças seja mais baixo para países com uma
baixa taxa de vacinação em adultos e mais significativo para países com
uma taxa elevada entre adultos”.Este
organismo vinca, ainda assim, que “a vacinação de crianças não pode ser
considerada um substituto para a vacinação de adultos”, sendo que esta
última deve ser “a principal prioridade” dos países.Dados
do ECDC revelam que foram identificados em 10 países da UE/EEE um total
de 65.800 casos de covid-19 em crianças dos 5 aos 11 anos relacionados
com a variante Delta, de elevada transmissão, dos quais 0,61% implicaram
internamento e 0,06% cuidados intensivos para apoio respiratório.No
relatório, o organismo aponta que “a contribuição relativa das crianças
para a circulação global do SARS-CoV-2 pode ter aumentado devido a
fatores incluindo o aparecimento da variante Delta e o aumento da
cobertura vacinal nos grupos etários mais velhos”.Hoje
mesmo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
anunciou que as vacinas anticovid-19 para crianças dos 5 aos 11 anos, do
consórcio farmacêutico BioNTech/Pfizer, chegam à UE em 13 de dezembro.O
regulador europeu – a EMA – recomendou, na semana passada, a
administração da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech a crianças
desta faixa etária a que se seguiu o anúncio da Comissão Europeia de
compra de doses.Esta
é a primeira vacina aprovada na UE para crianças dos 5 aos 11 anos,
numa altura em que se verificam aumentos de casos nestas idades e quando
os Estados Unidos já a administram.Em
Portugal, a Direção-Geral da Saúde deverá emitir uma recomendação esta
semana, após receber um parecer da comissão técnica de vacinação.