“É dentro da diversidade que nós aprendemos mais coisas”
2 de set. de 2024, 16:16
— Sara Lima Sousa
Como se sente por regressar aos Açores e sobre levar esta peça de teatro ao Teatro Micaelense?Estou
e estamos (como equipa) todos muito felizes por regressar aos Açores.
Já fui em trabalho, mas também em lazer. Estou muito contente por ter a
oportunidade de levar este espetáculo, que tem sido um sucesso em todo o
país, à maravilhosa ilha de São Miguel. Não só para matar as saudades
da ilha, das pessoas, da comida e da paisagem única, mas também de poder
usufruir deste espetáculo com o público açoriano.Agradecemos muito
esta oportunidade de voltar a uma terra que todos nós gostamos imenso. É
uma honra enorme fazer parte da agenda deste teatro, principalmente por
ser nos Açores, uma vez que é bem longe dos grandes centros do nosso
país.É conhecido pela sua versatilidade, tanto na televisão como no
teatro. Como equilibra estes dois mundos e qual dos dois o desafia mais?São
formas de linguagem completamente diferentes, mas o que me desafia mais
é a oportunidade que tenho de desenvolver o meu trabalho dentro da
diversidade. É dentro da diversidade que aprendemos mais e coisas
diferentes. Ter a mesma credibilidade e a mesma verdade dentro de todos
esses estilos, é o que procuro. Ser aceite por tudo aquilo que faço, é o
que quero e o que nós todos procuramos. Ter essa oportunidade é, para
mim, um privilégio enorme. E, ao mesmo tempo, ter o carinho do público
dentro desta versatilidade é o melhor prémio.Como perceciona a evolução do teatro e da televisão em Portugal nos últimos anos? A
pandemia interrompeu todo o curso do trabalho da classe artística, mas a
verdade é que as pessoas não perderam o contacto e querem continuar a
ver os espetáculos. As salas têm estado sempre cheias. O que nos pode adiantar sobre a peça de teatro em questão e o papel que desempenha nela?Esta
peça surge na sequência dos Monólogos da Vacina, que tenho pena de não
ter levado aos Açores. Neste espetáculo, estamos perante uma daquelas
comédias clássicas, de enganos e equívocos, onde as situações de
gargalhada acontecem através das confusões que as próprias personagens
vivem durante o desenrolar da peça.A minha personagem é o Bernardo,
um dos elementos de um casal de personagens que protagoniza a história,
que decorre durante um fim de semana numa casa de campo. As coisas
correm mal e há que tentar arranjar soluções, mas complicam-se ainda
mais. Não posso contar tudo para não desvendar a surpresa.Já tinha
esta peça em mente há mais de 20 anos. Sempre tive vontade de a fazer,
mas nunca tive oportunidade de a trazer a palco, até agora. Entretanto,
surgiu a hipótese de voltar a trazer um novo espetáculo, produzido pela
minha produtora, B Produções, pensei: porque não voltar a esta ideia que
eu tinha para um espetáculo de comédia? E a verdade é que já passou um
ano desde que começaram os ensaios e continuamos enquanto equipa com
muita alegria, a testemunhar que o público se diverte tanto ou mais do
que nós.Como correu o processo de preparação para interpretar esta personagem que é o Bernardo?A
preparação correu bem, mas foi complicado e desafiador, no sentido em
que este é um texto, que embora seja de comédia, exige algum rigor,
Todas as personagens vivem no meio da confusão e as coisas têm de ter
alguma disciplina, uma vez que esta é uma comédia que vive muito à base
do ritmo. No fundo, é como se fosse uma orquestra, as coisas têm de
estar organizadas.Não só para tudo isto fazer sentido, como para o público acreditar que aquela situação que estamos a apresentar é verdade.Essa
foi outra dificuldade: dar veracidade às palavras do autor, para que as
coisas não só façam sentido, como também serem credíveis para quem está
a ver. Quanto mais verdade for transmitida e verdadeiro for tudo aquilo
que vivemos em cima do palco, mais o público se diverte e se compromete
com aquilo que está a assistir.Qual espera que seja a receção do público açoriano ao espetáculo “Feliz Aniversário”?Espero
que a receção do público açoriano seja tão boa ou até melhor de como
tem sido ao longo destes 10 meses de espetáculo, em que andamos por todo
o país, todos os fins de semana, numa localidade diferente. As reações
das pessoas têm excedido todas as nossas expectativas. Tenho a certeza
que os Açores não vão ficar atrás e vão também divertir-se muito
connosco.