Dúvidas do Governo sobre legalidade das greves de docentes são "forma de pressão"
12 de jan. de 2023, 13:06
— Lusa/AO Online
O
Ministério da Educação pediu um parecer jurídico à Procuradoria-Geral
da República (PGR) sobre a legalidade da forma de execução das greves
dos professores que estão em curso nas escolas.“É
uma forma de pressionar os professores”, disse a Júlia Azevedo, em mais
um protesto realizado junto à sede do Agrupamento de Escolas D. Pedro
I, em Canidelo, Vila Nova de Gaia, com a participação de cerca de uma
centena de professores.A sindicalista
sublinhou que a luta dos docentes - “que com toda a sinceridade é já
espontânea” - tem sido “muito forte (…) por todo o país”, pelo que está a
“causar impacto na sociedade”.A dirigente
do SIPE congratulou-se com o facto de “muitos pais compreenderem a
importância desta reivindicação, até pela falta de professores que se
adivinha, já no presente e no futuro”.É uma greve que “está a causar transtorno, é verdade, daí esta pressão”.“Admira-nos
este pedido do Governo, porque enviámos o nosso pré-aviso com cinco
dias de antecedência e nada nos foi dito pelo Ministério da Educação,
assim como não tivemos nenhum contacto do Ministério do Trabalho.
Admira-nos que o Ministério [da Educação] ponha em causa a legalidade de
um pré-aviso que, segundo o nosso departamento jurídico está
completamente dentro da legalidade, porque cumpre todos os requisitos
exigidos na lei”, disse.Júlia Azevedo
frisou que “estão todos os requisitos cumpridos”, pelo que o sindicato
vai “aguardar com serenidade o parecer” e irá também, pelo seu lado,
pedir os seus pareceres.A PSP esteve
presente para identificar os dirigentes do SIPE que convocaram o
protesto à frente da sede do Agrupamento de Escolas D. Pedro I, em Gaia.
O protesto hoje realizado em Gaia foi
“mais um grito de apelo” ao Ministério da Educação (ME) para que recue
nas propostas apresentadas no que concerne aos concursos e apresente
soluções concretas para os problemas que “afetam a classe docente há
vários anos”.O SIPE exige que o ME
implemente um modelo de recrutamento de docentes e educadores por
graduação profissional, bem como a abertura de processos negociais que
visem, entre outros, a extinção das vagas de acesso aos 5.º e 7.º
escalões com efeitos retroativos, a recuperação integral do tempo de
serviço, a redução da componente letiva por idade igual em todos os
níveis de ensino revertendo para a componente individual de trabalho, a
alteração ao regime da mobilidade por doença, o fim da precariedade na
contratação com vinculação automática ao fim de três anos de serviço e a
reposição da perda salarial.Júlia Azevedo
disse à Lusa que o SIPE vai manter todas as ações de luta até, pelo
menos, ao dia 20 de janeiro, data em que se reunirá com o Ministério da
Educação, prosseguindo designadamente com a greve parcial para que cada
docente faça greve ao primeiro tempo do seu horário, que tem vindo a
provocar o encerramento de centenas de escolas em todo o país.Segundo
a presidente do SIPE, as alterações que a tutela quer impor “são
inaceitáveis e vão prejudicar gravemente as vidas e carreiras dos
professores, sendo transversais aos professores contratados, aos quadros
de zona pedagógica ou aos quadros de agrupamento. É por isso mesmo que
os professores estão determinados a agir em conjunto, não só para travar
estas intenções do ME, como para exigir de volta tudo o que lhes foi
retirado”, acrescentou.O ministro da
Educação, João Costa, já veio, entretanto, esclarecer algumas dessas
questões, assegurando, por exemplo, que a contratação de docentes não
vai passar para as autarquias e que vai continuar a fazer-se com base na
graduação profissional, abandonando também a intenção de permitir que
os diretores possam selecionar 30% dos seus professores.