Durão Barroso defende compra conjunta de vacinas pela Europa e África numa próxima pandemia
29 de jul. de 2022, 15:51
— Lusa/AO Online
"Porque
não, da próxima vez que houver uma pandemia, em vez de ser a União
Europeia a comprar vacinas, a UE e a União Africana (UA) comprarem em
conjunto", questionou o antigo presidente da Comissão Europeia, durante a
sua intervenção no Fórum Eurafrica, que termina hoje em Carcavelos, nos
arredores de Lisboa."A questão que deixo
aqui é: e se a Europa e África juntassem esforços e trabalho, com
autonomia total? Não sugiro fazer tudo em conjunto, mas em convergência,
são 50 países na Europa e 54 em África, a realidade é que Europa e
África podem mostrar convergência e fazer propostas em conjunto" em
várias organizações internacionais, defendeu Durão Barroso.Na
intervenção, que passou em revista os principais desenvolvimento
geoestratégicos e geopolíticos, entre os quais destacou "o ambiente de
guerra fria entre os Estados Unidos e a China, o desenvolvimento mais
importante dos últimos 30 anos", Durão Barroso defendeu que os cidadãos
têm de sentir esta diferença de enquadramento nas relações entre os dois
continentes."O problema é que há boas
intenções, há uma lista de coisas boas, e documentos muito bonitos, mas
depois as pessoas não veem as coisas em concreto, precisamos de exemplos
fortes de cooperação, e o gás pode ser outro aspeto desta cooperação",
disse o antigo primeiro-ministro português, depois de defender a compra
em conjunto de vacinas para os países dos dois continentes."Espanha
e Portugal não importam gás da Rússia, mas a Itália importa, e
conseguiu reduzir a sua dependência energética de 40% para 2%, comprando
aos países do norte de África", afirmou, salientando que "são exemplos
concretos de como se consegue atingir um interesse comum através da
integração económica, que foi o ponto de partida da União Europeia".Senão,
alertou, haverá "um cenário de guerra fria, com a UE e os EUA de um
lado, e a Rússia e a China de outro, a tentarem comprar apoio
individualmente aos países africanos".Para
Durão Barroso, isto criaria, concluiu, uma situação que "não seria boa
para África, que terá de escolher entre ficar numa posição de recetora
de propostas, ou escolher juntar-se como bloco liderado pela UA e
colocar-se, de forma inteligente, a ser ela própria a fazer as
propostas".