Duas horas de Conselho Nacional do PSD sem polémica e com críticas de Moedas às “artimanhas do PS”
26 de jan. de 2023, 08:41
— Lusa/AO Online
Moedas,
que encabeçou a lista do líder do partido Luís Montenegro ao Conselho
Nacional, fez uma intervenção neste órgão centrada sobretudo em Lisboa,
recordando que foi “há um ano e quatro meses” que venceu a câmara da
capital.“Não se deixem condicionar pelas
pequenas artimanhas de distração que o PS vai criando”, apelou o
autarca, segundo relatos feitos à Lusa, numa intervenção em que elogiou o
“trabalho extraordinário” que Luís Montenegro está a fazer à frente do
partido. “As suas posições são de um líder que tem coragem e conhece as suas responsabilidades”, disse, perante os conselheiros.Tal
como as anteriores reuniões do Conselho Nacional da ‘era Montenegro’ –
que preside ao partido desde julho do ano passado -, esta foi uma
reunião sem polémica e rápida.Numa
intervenção inicial de cerca de 40 minutos, o presidente do PSD
justificou, de forma indireta, a abstenção na recente moção de censura
da Iniciativa Liberal ao Governo, mas deixando avisos para o futuro.“No
dia em que concluirmos que o Governo não tem condições para prosseguir,
não vamos a correr ver quem chega primeiro, não vamos com manobras de
diversão. Vamos ao senhor Presidente da República dizer por mais A mais B
porque é que a realidade política e económica do país reclama a
interrupção da legislatura”, afirmou, numa reunião com poucos deputados
presentes, para além da direção da bancada parlamentar.Montenegro
explicou que o PSD não pede eleições “pelo menos para já” por entender
que ainda “é a hora” de António Costa governar, a poucos dias de se
completar um ano da maioria absoluta do PS, que disse ser marcado “por
desnorte” e “falta de liderança”.“Dr.
António Costa, esta é a sua hora, é hora de mostrar o que vale, não é
hora de arranjinhos no parlamento com PCP e BE, não é hora de ir atrás
de uma maioria absoluta que já tem, é hora de dizer que ainda é
merecedor da tarefa que o povo lhe atribuiu e que ainda está a tempo de
recomeçar a sua governação”, apelou.Por
outro lado, o líder do PSD acusou “a máquina de propaganda do PS e do
Governo” de tentar atirar o PSD para a lama e de estar “associada a
vários interesses” que preferem manter os socialistas no poder. “Não
me intimidam nem intimidam o PSD, estamos aqui para lutar por Portugal
até à ultima gota do nosso esforço”, assegurou Luís Montenegro, que
disse não se deprimir nem se entusiasmar com estudos de opinião, num dia
em que uma sondagem da TVI/CNN colocou os sociais-democratas à frente
do PS.Na reunião, foram ainda aprovadas
por unanimidade as contas do partido de 2021 (que incluíam as últimas
eleições autárquicas) e o orçamento do PSD para este ano.Em
2021, o PSD teve resultados líquidos positivos de 18 mil euros, contra
os 2,4 milhões de euros de prejuízo que tinha registado no anterior ano
de eleições locais, em 2017.Já o Plano de
Atividades dos sociais-democratas para 2023 foi aprovado pela Comissão
Política Nacional, também por unanimidade, e apenas apresentado aos
conselheiros.Esse plano inclui alterações
ao regulamento de quotas aprovado na anterior direção e o lançamento das
bases de uma reforma estatutária, que “pondere a abertura do universo
eleitoral a todos os militantes”.Por
exemplo, a referência para o pagamento das quotas no multibanco deixa de
ser aleatória – como previsto no regulamento aprovado em 2019 na
direção de Rui Rio – e passará a ser “aberta com base no número de
militante para pagamento da quota”.Ainda
no âmbito da militância, o PSD vai promover uma campanha de adesão ao
pagamento de quotas por débito direto (até final do mês de junho, com
desconto de 25% na próxima anuidade) e uma campanha de angariação de
novos militantes (“com destaque para os antigos militantes – refiliação -
e introdução do conceito de agregado familiar”).