Duarte Gomes faz balanço positivo do VAR, mas adverte que há “arestas por limar”
17 de out. de 2017, 17:07
— LUSA/AO online
“Têm existido decisões
acertadas e erradas. É uma grande ajuda, mas com algumas arestas por
limar”, observou Duarte Gomes, durante uma sessão do ciclo de
conferências subordinado ao tema “Tecnologia no desporto: como continuar
a ser uma mais-valia?”, na Universidade Europeia, em Lisboa.Duarte
Gomes considerou que o número de câmaras colocadas à sua disposição
devia ser uniformizado, uma vez que a quantidade difere em função da
importância dos jogos, o que significa que os VAR “não têm sempre as
mesmas condições para apurar a verdade”.O antigo árbitro defendeu
também que existe uma “situação de desigualdade” relativamente à
designada linha de fora de jogo, cuja tecnologia não foi aprovada, mas à
qual os vídeoárbitros estão expostos, de forma arbitrária, dependente
da decisão da realização.“O protocolo diz que, além de ter acesso
a todas as imagens não editadas, o VAR também deve ter acesso às
imagens da transmissão televisiva. O que acontece é que algumas
transmissões optam por colocar a linha de fora de jogo e outras não,
criando uma situação de desigualdade”, advertiu.Duarte Gomes
recordou que, pelo menos durante a fase de teste, pretendeu-se que o VAR
fosse o menos invasivo possível no desenrolar do jogo, e, por isso,
restringiu-se a sua ação a situações gravemente atentatórias da verdade
desportiva.Apesar da existência de algumas falhas, Duarte Gomes
acredita que o VAR será aprovado definitivamente, convertendo-se, no
futuro, numa espécie de “assistente pessoal do árbitro” e abrindo,
inclusive, uma perspetiva de carreira.“Está aqui a nascer uma
nova carreira, porque as competências do árbitro são diferentes das
competências do vídeoárbitro. Um bom árbitro pode dar um mau
vídeoárbitro e vice-versa”, sustentou o antigo árbitro internacional.Duarte
Gomes notou que o VAR “está, finalmente, a desculpabilizar o árbitro”,
retirando-lhe uma parte significativa da pressão, que foi transferida
para o vídeoárbitro: “Agora, é sobre ele que recai o ónus”.