Duarte Gomes considera arbitragens "aquém do que se esperava"
Mundial2022
16 de dez. de 2022, 17:29
— Lusa/AO Online
O
antigo árbitro internacional português ressalva que “nem tudo foi mau” e
“houve boas arbitragens”, mas, de uma forma geral, “estava à espera de
mais”, atendendo ao nível de exigência da prova e à ajuda da tecnologia
auxiliar usada (videoárbitro).“A este
nível, com 10 ou 11 árbitros envolvidos em várias funções, com
tecnologia de ponta, que representa um investimento de milhões, e com o
nível que se exige aos árbitros, em termos de experiência e competência,
esperava muito mais”, disse Duarte Gomes à agência Lusa.Uma
das razões apontadas por Duarte Gomes para o nível apresentado no Qatar
reside no facto de os árbitros não serem escolhidos por “meritocracia
pura”, mas sim “por serem competentes nas respetivas confederações, que
têm um número por quotas para preencher”.“Era
expectável que aqueles que têm menos experiência competitiva nas suas
ligas domésticas, ou seja, os que estão menos habituados a jogos de
altíssimo nível como são estes [do Mundial], pudessem sucumbir com maior
facilidade à exigência dos jogos e ao mediatismo”, refere Duarte Gomes.O
ex-árbitro aponta que, “com todo o respeito pela sua qualidade e
seriedade”, estiverem no Qatar representantes da Zâmbia, Namíbia, Peru,
Nova Zelândia, China e Ruanda, “habituados nos seus campeonatos
domésticos a jogos com um nível competitivo muito inferior ao que existe
na Europa e na América do Sul”.Duarte
Gomes recorda que, da transição da fase de grupos para os jogos a
eliminar, “foi mandada para casa uma seleção de árbitros por terem
cometido erros que, com o escrutínio do VAR, são absolutamente
inadmissíveis a este nível competitivo”.O
antigo internacional constatou ainda nas arbitragens do Mundial “alguma
tolerância disciplinar que não é normal” e que parece ter sido assumida
por todos os árbitros, embora sem saber se foi por recomendação da FIFA,
embora creia que não.Regra geral, refere
Duarte Gomes, “havia uma indicação muito clara para proteger os
talentos, nomeadamente de entradas mais duras, exibindo cartões aos
infratores, porque o que interessava, e bem, era proteger a integridade
física dos craques”.“Neste campeonato, e o
jogo entre a França e Marrocos foi disso exemplo, houve uma
permissividade disciplinar que não é normal e isso deixou-me um bocado
desiludido. Houve situações de jogo em que esses talentos não foram
protegidos”, refere.Em relação aos longos
períodos de compensação verificados em alguns jogos, principalmente no
decorrer da fase de grupos, como forma de combater os tempos mortos,
Duarte Gomes está de acordo com a indicação dada pela FIFA aos árbitros.
“Sou favorável a esse tipo de abordagem,
porque sabendo que há um conjunto de estratégias deliberadas para perder
tempo e outras não deliberadas, como lesões e consulta de VAR, era
importante que o jogo tivesse um número de minutos aproximado do que
deve ter", afirma.Para Duarte Gomes, “as
equipas ao princípio estranharam e depois entranharam-se” e o facto de
na segunda fase os tempos de compensação terem sido menores indica que,
no ‘mata-mata’, queriam ganhar o jogo e não perder tempo”.Duarte
Gomes desvalorizou ainda o facto de o jogo entre Portugal e Marrocos
ter sido arbitrado por um árbitro argentino, algo que foi contestado
após a eliminação lusa, dado que a Argentina ainda se encontrava em
prova, considerando que esse argumento “é desculpa de mau perdedor”.“Não
gosto de ver o meu país a recorrer a esse argumento e colocar em causa a
competência do árbitro pela sua localização geográfica”, disse Duarte
Gomes, lamentando que se desconfie da existência de uma vontade
deliberada, da parte de quem dirige o jogo, para prejudicar uma seleção
em benefício da do seu país.O ex-árbitro
recorda o percurso de Pedro Proença até à final do Campeonato da Europa
de 2012 (Espanha-Itália, 4-0), numa altura em que a seleção portuguesa
ainda se encontrava em prova, dado que caiu nas meias-finais, e que
“ninguém colocou isso em causa”.