Duarte Freitas considera “grave” Agendas não incluirem mais associações dos Açores
PRR
6 de mai. de 2022, 09:54
— Lusa/AO Online
Ouvido
na comissão de inquérito às Agendas Mobilizadoras da Assembleia
Regional, na qualidade de antigo secretário regional da Juventude, o
atual responsável pelas Finanças, Planeamento e Administração Pública do
executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) disse só ter participado na “fase
final” do processo.“O facto mais grave que
aqui está foi não se ter considerado as associações comerciais de todas
as ilhas e considerar-se apenas as das ilhas capitalinas dos resquícios
do neocolonialismo”, declarou, referindo-se às ilhas de São Miguel,
Terceira e Faial.Na altura da elaboração
das Agendas Mobilizadoras do PRR, Duarte Freitas tutelava a Juventude, a
Qualificação Profissional e o Emprego, enquanto Joaquim Bastos Silva,
que saiu do Governo em abril, desempenhava as funções de secretário
regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.Durante
a audição, Duarte Freitas disse ser “factual” de que o processo foi
liderado pelos responsáveis da secretaria das Finanças de então.“Quem
liderou o processo foi o gabinete do secretário das finanças.
Naturalmente, factualmente, como está nos documentos, tinham
necessariamente de saber mais do que os outros membros do governo”,
apontou.O social-democrata disse ter tido
conhecimento da Agenda para o Turismo através da Escola Turística
Hoteleira, instituição que teve um “conjunto de reuniões” com as
consultoras contratadas pelo executivo para a elaboração das
candidaturas.Depois, foi-lhe dado
“conhecimento” de que a Escola Turística Hoteleira, por si tutelada,
iria “integrar a agenda para o turismo”.“Não
podemos ter sol na eira e chuva no nabal. Pretendo, quando confio nas
pessoas que colaboraram comigo, que elas tenham a máxima liberdade no
âmbito das suas competências”, vincou.Duarte
Freitas disse não ter sentido qualquer desconforto quanto ao conteúdo
da carta de intenções da candidatura, ao contrário do antigo governante
Mário Mota Borges, ex-secretário dos Transportes, que revelou na
quarta-feira, na mesma comissão, que sentiu “desconforto” quanto à
redação inicial da missiva.“A secretaria
que tutelava tinha responsabilidades perante a marca Açores e tudo o que
fosse para promover os produtos dos Açores com a marca Açores contava.
Por isso assinei a carta”, declarou.O
secretário regional justificou a integração da Associação Turística
Hoteleira nas Agendas Mobilizadoras como uma forma de “recolher verbas
para promover a sua ação”.Duarte Freitas
disse não se recordar de abordar o processo com o antigo secretário dos
Transportes, Turismo e Energia Mota Borges, nem com o presidente da
Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, Marcos Couto.“Para ser franco, nenhuma empresa ficou de fora, nem nenhuma empresa ficou dentro porque não segui o processo”, advogou.A
comissão de inquérito às agendas mobilizadoras foi aprovada por
unanimidade no parlamento açoriano em outubro de 2021, depois de vários
partidos terem questionado a gestão feita pelo Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) às verbas previstas no PRR para o arquipélago ao abrigo
daquele programa.Em causa estava uma
verba inicial de 117 milhões de euros, financiada pelo PRR, destinada a
projetos de inovação, turismo e agroindústria, a que poderiam
candidatar-se as empresas açorianas que apresentassem projetos em
consórcio com outros grupos económicos.Na
sequência de críticas ao processo, os consórcios criados nos Açores
deixaram cair as propostas, em outubro, a pedido do presidente do
Governo Regional, que disse ter a "garantia" do Governo da República de
que a verba destinada à região não estava em causa.