Donald Trump comparece esta terça-feira num tribunal de Nova Iorque em caso de suborno
4 de abr. de 2023, 08:05
— Lusa/AO Online
Donald Trump,
que também é candidato à Casa Branca em 2024, chegou na segunda-feira a
Nova Iorque, tendo passado a noite na Trump Tower, em Manhattan, rodeado
por um forte dispositivo de segurança.A
sessão está marcada para as 14h15 (19h15 em Lisboa, menos uma nos Açores) no tribunal criminal
de Manhattan, onde Trump deverá passar por um protocolo, que inclui
tirar impressões digitais e fotografia, e onde se vai declarar
"inocente", indicou a defesa.Espera-se que
Trump compareça perante o juiz Juan Merchan, o mesmo magistrado que
presidiu um julgamento criminal no ano passado no qual a empresa
imobiliária do magnata foi condenada por fraude fiscal, mas no qual
Trump não foi acusado.No final da sessão,
Trump deverá regressar a Mar-a-Lago, a sua mansão na Flórida, onde fará
declarações sobre todo o processo, informou o gabinete do ex-chefe de
Estado norte-americano.Esta que é a
primeira acusação criminal contra um ex-Presidente na história dos
Estados Unidos acarretou grandes desafios de segurança, com as
autoridades a prepararem-se para possíveis manifestações.Ainda
não são conhecidas as acusações contra o ex-Presidente, mas alguns dos
aliados mais fiéis saíram já em defesa do republicano, como a
congressista Marjorie Taylor Greene, um dos nomes mais radicais do
Partido Republicano. Taylor Greene
anunciou que vai estar hoje em Nova Iorque, num protesto junto ao
tribunal criminal de Manhattan, ao qual também se vão juntar membros do
'New York Young Republican Club'.Ao longo
das últimas semanas, antecipando a acusação, Donald Trump tem exortado
os apoiantes a protestarem, mas registaram-se poucas manifestações
públicas de apoio pelo país.Levantaram-se
então questões sobre se Trump, o candidato republicano líder na corrida
presidencial de 2024 que mantém seguidores devotos, ainda tem o mesmo
poder de mobilização como o que teve no ataque ao Capitólio, em 06 de
janeiro de 2021.Contudo, as autoridades de
Nova Iorque mantêm todas as possibilidades em aberto e montaram uma
megaoperação de segurança, que envolveu todos os 35 mil membros do
Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD, na sigla em inglês), além
de agentes dos serviços secretos, responsáveis pela segurança do
ex-Presidente.A segurança do procurador
distrital de Manhattan, Alvin Bragg, responsável por liderar esta
investigação contra Trump, também tem sido uma das prioridades das
autoridades de Nova Iorque, uma vez que já recebeu pelo menos uma ameaça
de morte. Todo este caso remonta a 2016,
quando a atriz pornográfica e realizadora Stormy Daniels entrou em
contacto com diversos meios de comunicação para vender o relato de que
teve um caso com Donald Trump em 2006, na altura já casado com a
ex-primeira-dama Melania Trump.A equipa de
Trump tomou conhecimento da oferta e o advogado Michael Cohen pagou 130
mil dólares (cerca de 120 mil euros) a Daniels para ela desistir de
tornar o caso público.No entanto, quando
Trump reembolsou Cohen, esse pagamento foi registado como "honorários de
advocacia", com os procuradores a argumentarem que isso equivale a
falsificação de registos comerciais, o que em Nova Iorque constitui um
crime.