"Após uma análise cuidadosa, a IAG
decidiu que não seria do melhor interesse dos nossos acionistas avançar
com o processo de aquisição de uma participação na TAP", disse fonte
oficial à Lusa. A mesma fonte acrescenta
que "ao tomar esta decisão, a IAG está a dar prioridade às inúmeras
oportunidades de crescimento existentes no grupo, incluindo uma alocação
disciplinada de capital para expandir as suas marcas de companhias
aéreas líderes, bem como um desenvolvimento com poucos ativos através de
parcerias com companhias aéreas e negócios como o IAG Loyalty".Com esta decisão, a corrida à privatização da TAP será feita entre a Air France-KLM e a Lufthansa. Na
semana passada, a Bloomberg tinha noticiado que a IAG poderia não
avançar com uma proposta por considerar que a opção de Portugal vender
apenas uma participação minoritária da companhia aérea não se enquadra
na estratégia do grupo. Uma informação
confirmada hoje pela IAG: "Sempre afirmámos que, em qualquer situação de
aquisição, precisamos de um caminho para a propriedade total, de forma a
podermos gerir e transformar o negócio.O
caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP,
com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não
subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.No
âmbito do processo de venda, a Parpública tem agora 30 dias para
elaborar um relatório para submeter ao Governo. No entanto, caso sejam
solicitados esclarecimentos aos proponentes, o prazo será suspenso até à
resposta ou ao término do prazo fixado.As
propostas não vinculativas, cuja entrega encerrou às 16:59, incluiram
já uma componente financeira, como o preço oferecido pelas ações e
mecanismos de valorização futura ('earn outs'). Além disso, tiveram de
ser apresentados planos industriais e estratégicos, sinergias e
garantias de preservação do estatuto da TAP como operador aéreo da União
Europeia, bem como a manutenção do ‘hub’ - plataforma giratória de
distribuição de voos. A Lufthansa tinha
confirmado ao início da tarde que tinha avançado com uma oferta não
vinculativa. Esta semana já tinha explicado que faz parte dos seus
planos para a TAP apostar no crescimento do mercado brasileiro e defende
a expansão do ‘hub’ de Lisboa, bem como o reforço da operação no Porto.
Além disso, o grupo alemão admite
adquirir uma participação minoritária na TAP, mas pretende assegurar
influência na gestão executiva da companhia.Por
sua vez, a Air France-KLM, que emitiu um comunicado logo de manhã a
confirmar que tinha submetido uma proposta, sublinha a sua experiência
na relação com acionistas estatais, destacando a importância estratégica
do setor da aviação para os países onde opera. O Estado francês é o
maior acionista, com 27,98% do capital, seguido pelo Estado neerlandês,
que detém 9,13%."Acreditamos que esta
experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da
aviação para uma nação", afirmou o presidente executivo (CEO) do grupo
Air France-KLM, Benjamin Smith, citado no comunicado.“A
TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o
nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que
desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o
Porto. Aguardamos com expectativa as próximas etapas deste processo de
privatização”, acrescentou.Depois da
entrega do relatório da Parpública, o Conselho de Ministros selecionará
as candidaturas consideradas mais adequadas e convidará as escolhidas a
apresentar propostas vinculativas na terceira etapa do processo, com um
prazo máximo de 90 dias, contados desde o envio do convite.Após
a apresentação das propostas vinculativas, a Parpública terá outros 30
dias para elaborar um relatório final e será com base neste documento
que será selecionada a melhor proposta ou poderá ser iniciada uma fase
de negociações para apresentação de propostas vinculativas melhoradas e
finais.De seguida, o Estado convocará a
assembleia-geral da TAP para aprovação de deliberações necessárias à
concretização da privatização e à implementação do plano industrial e
estratégico acordado.O Governo tem
afirmado que espera ter o processo para a privatização da companhia
aérea - que inclui também a Portugália e a Unidade de Cuidados de Saúde
TAP - concluído até ao verão, mas o calendário final depende ainda de
autorizações regulatórias, nomeadamente da Direção-Geral da Concorrência
da Comissão Europeia.