“Dois terços” das propostas do PTRR são também contributos do PS
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Hoje 18:00
— Lusa/AO Online
No
final de uma reunião de hora e meia com o Governo, na residência oficial
do primeiro-ministro, em São Bento, José Luís Carneiro deixou outra
proposta adicional, quanto ao modelo de governação do programa
Portugal-Transformação-Recuperação-Resiliência.“Aquilo
que propusemos foi que a estrutura de missão para administrar este
plano futuro possa ser enquadrada no Plano de Recuperação e Resiliência
(o atual PRR), porque já há estruturas humanas, há estruturas de
organização, estruturas de logística que permitirão responder com maior
celeridade, com maior capacidade (…) Essa é portanto uma nova proposta
que trouxemos a este diálogo que o sr. primeiro-ministro ficou de
apreciar e de avaliar”, afirmou.No final
do encontro sobre as linhas gerais do PTRR, no qual esteve acompanhado
pelo líder parlamentar do PS Eurico Brilhante Dias e pela presidente dos
Autarcas Socialistas Sónia Sanfona, o secretário-geral do PS não quis
revelar as intenções do Governo quanto a um eventual Orçamento
Retificativo, mas reiterou a disponibilidade do PS para o aprovar, desde
que possa ser fiscalizado mensalmente pelo parlamento.José
Luís Carneiro voltou a referir-se ao PTRR como “um plano de intenções”,
repetindo que teria sido importante prolongar o estado de calamidade de
forma “a agilizar procedimentos e dar rapidez, dar celeridade às
respostas que é necessário dar às comunidades locais, autarquias,
empresas, famílias, trabalhadores”.O líder
socialista sublinhou a importância das propostas do PS já apresentadas
no âmbito dos apoios a famílias e empresas, às autarquias, aos
agricultores ou ao setor das pescas.“O sr.
primeiro-ministro e o Governo transmitiram-nos que, do conjunto das
propostas que pretendem levar por diante neste plano, cerca de dois
terços trata-se também do aproveitamento e da valorização de propostas
que fez o PS”, disse.Carneiro assinalou
este facto como positivo, mas avisou que “se as medidas e as propostas
não passarem à prática não passam de meras intenções”.“Aquilo
que nós desejamos é que estas intenções, que são boas, cheguem à vida
das pessoas, às famílias, nomeadamente apoiando a recuperação de
habitações com valores acima dos 10 mil euros, possam também apoiar os
trabalhadores não apenas com o lay-off a 100%, mas também o apoio à
tesouraria das empresas e o apoio ao investimento das empresas”, disse.Quanto
à proposta adicional que o PS trouxe à reunião sobre o modelo de
governação do PTRR, o líder socialista explicou que visa que o Governo
“possa trabalhar no quadro institucional do Plano de Recuperação e de
Resiliência”, o atual PRR português, que termina em 2026.“Há
uma estrutura que ganhou uma experiência com o desenvolvimento e a
aplicação do PRR e trata-se de aproveitar essa estrutura institucional,
essa estrutura humana, essa estrutura técnica e essa estrutura que está
hoje já com um acompanhamento em todos os municípios do país, para
garantir que esta proposta, que é para já um plano de intenções, possa
chegar efetivamente à vida das pessoas”, afirmou,O
Governo está hoje a reunir-se com os partidos com assento parlamentar
para apresentar e discutir as linhas gerais do PTRR, cuja versão final e
valor global só serão aprovados no início de abril.Do
lado do Governo, participam nas reuniões o primeiro-ministro, Luís
Montenegro, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o ministro
da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e o ministro
dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.