Dois projetos portugueses distinguidos pelo World Architecture Festival
15 de jul. de 2025, 15:42
— Lusa/AO Online
O júri da edição de 2025 do
festival de arquitetura distinguiu 28 projetos de arquitetura
contemporânea, com o prémio WAFX, em diversas áreas, incluindo o “Echoes
of the Void”, do Segmento Urbano, em São Miguel, nos Açores, e o Polo
de Saúde da Universidade de Évora, do gabinete CLOU architects, ambos na
categoria de Envelhecimento e Saúde.Segundo
a página do World Architecture Festival, o prémio WAFX distingue
projetos que “utilizam design e arquitetura para abordar grandes
problemas mundiais, como saúde, mudanças climáticas, tecnologia, ética e
valores”.O vencedor geral do WAFX será anunciado no último dia do festival, que decorre de 12 a 14 de novembro, em Miami.Em
comunicado de imprensa, a arquiteta Maria João Correia, fundadora do
ateliê Segmento Urbano, defendeu que “esta conquista representa a
afirmação da capacidade criativa da arquitetura nacional, para além dos
vultos consagrados de Siza ou Souto Moura”.“O
World Architecture Festival é reconhecido por destacar propostas
visionárias e inovadoras, e esta distinção reforça o potencial de
exportação da arquitetura nacional, num momento em que a procura por
soluções mais humanas, sustentáveis e contextuais ganha força no mercado
imobiliário internacional”, afirmou.O
projeto “Echoes of the Void” foi concebido para as Furnas, na ilha de
São Miguel, e pretende ser “um último refúgio” para quem vive com uma
doença terminal.“Integrado entre a
floresta densa e a paisagem lacustre, o edifício propõe um espaço de
acolhimento e contemplação destinado a pessoas em fim de vida. Não se
trata de um centro clínico convencional, mas de um lugar que permite o
silêncio, a pausa e a intimidade com o tempo e com a paisagem”, explicou
o ateliê, em nota de imprensa.A
arquitetura do espaço “inspira-se nas cinco fases do luto (negação,
raiva, negociação, depressão e aceitação), desenhando um percurso onde a
luz natural, as sombras, os planos verticais e os intervalos de vazio
conduzem a experiência espacial e emocional”.O projeto é assinado por Maria João Correia, Cristina Lúcio, Sónia Silva e Hiago Carvalho.Já o projeto do Polo de Saúde da Universidade de Évora é assinado pelo arquiteto Tiago Tavares, do ateliê CLOU architects.Segundo
a página do festival, a proposta prevê “uma instalação educativa como
um ecossistema aberto e adaptável”, que “funde a forma construída com a
paisagem para apoiar modelos evolutivos de aprendizagem, interação
social e responsabilidade ambiental”.“Em
vez de atuar como um edifício isolado, o projeto emerge do terreno como
uma extensão do seu contexto natural e urbano, criando um ambiente
poroso e inclusivo enraizado em três princípios orientadores: Natureza,
Aprendizagem e Sustentabilidade”, lê-se na descrição.A
estratégia arquitetónica “é inspirada na morfologia urbana, decompondo
uma massa monolítica numa série de volumes interligados”, que “formam
uma rede de praças, becos e terraços - espaços ao ar livre que prolongam
a vida quotidiana para além da sala de aula”.“Aqui,
a aprendizagem formal e informal entrelaçam-se, encorajando o diálogo, a
espontaneidade e a colaboração. A composição geral é unificada por uma
cobertura contínua, que oferece sombra e abrigo, ao mesmo tempo que liga
visualmente as diversas componentes programáticas num todo coeso”,
lê-se na descrição do projeto, na página do festival.