Dois navios esperam há cinco dias permissão para o desembarque de 121 pessoas
Migrações
3 de dez. de 2019, 12:47
— Lusa/AO Online
A
organização não governamental (ONG) SOS Mediterranée reiterou hoje, num
comunicado, o seu pedido aos países europeus para permitirem o
desembarque num dos seus portos das 60 pessoas resgatadas há cinco dias,
incluindo 17 menores não acompanhados, um bebé de 3 meses e o seu irmão
de 3 anos.Vários dos migrantes que foram
resgatados, quando estavam à deriva num barco de madeira a 60 milhas da
costa da Líbia, tiveram de receber tratamento médico devido a
"ferimentos traumáticos recentes e significativos", supostamente
sofridos na Líbia.Um dos migrantes permanece em observação e exigirá transferência imediata para o hospital após o desembarque, explicou a ONG.Segundo
a SOS Mediterranée, com a mudança nas condições climatéricas, as
pessoas resgatadas sofrem de tontura e algumas delas precisam de
injeções para controlar os vómitos persistentes.O
Ocean Viking enviou a 29 de novembro um pedido para levar 60 migrantes
do Centro Conjunto de Coordenação de Resgate da Líbia (LYJRCC) para um
porto seguro e, na falta de resposta, enviou hoje um novo pedido às
autoridades italianas e maltesas, que responderam negativamente até
agora."Homens, mulheres e crianças estão
novamente presos no convés do nosso navio depois de serem resgatados no
mar. Entretanto, estão a ser atendidos pela nossa equipa médica. O tempo
piorará nos próximos dias e isso prolongará desnecessariamente o
sofrimento dos sobreviventes que já sofreram muito ", disse Nicholas
Romaniuk, coordenador de busca e salvamento da SOS Mediterranée a bordo
do Ocean Viking, num nota.A SOS
Mediterranée também denunciou que a 01 de dezembro o Ocean Viking
recebeu informações de que a guarda costeira da Líbia devolveu a Trípoli
33 pessoas resgatadas por um navio mercante na costa daquele país.Isso
ocorreu depois que o navio solicitou a assistência do Ocean Viking, mas
não estava autorizado a fazer uma transferência e as pessoas foram
devolvidas à Líbia.Na mesma situação está o
Alan Kurdi, que também resgatou a 29 de novembro 84 migrantes, sendo
que 23 deles tiveram que ser levados para Itália por problemas de saúde,
mas o desembarque dos restantes 61 migrantes a bordo do navio continua a
ser negado.A última retirada de pessoas
do barco ocorreu na noite de segunda-feira, quando cinco mulheres entre
17 e 19 anos, tiveram que ser levadas ao hospital siciliano de Modica
devido a tonturas e cólicas abdominais que sofreram. Três dessas
mulheres foram acompanhadas pelos maridos.O
navio foi autorizado a aproximar-se a 12 milhas do porto de Pozzallo,
na Sicília, para transferir as oito pessoas para os barcos da Guarda
Costeira italiana, mas depois foi instruído a afastar-se de novo.