Dois candidatos inéditos desafiam reinado de Pinto da Costa
FC Porto/Eleições
4 de jun. de 2020, 15:11
— Lusa/AO Online
Para tomarem posse
como o 34.º presidente dos ‘dragões’ rumo ao quadriénio 2020-2024, Nuno
Lobo (lista B) e José Fernando Rio (C) terão de superar o histórico
estatuto de Jorge Nuno Pinto da Costa (A), o mais antigo e titulado
dirigente do futebol mundial no ativo, que chegou ao poder em 17 de
abril de 1982, com 95% dos votos.Os 60
títulos no futebol e mais umas largas centenas nas modalidades ajudaram a
virar o FC Porto do avesso nas últimas quatro décadas, mas caíram a
pique a partir do tricampeonato na época 2012/13, ao ponto de os ‘azuis e
brancos’ terem conquistado apenas uma I Liga e duas Supertaças nos
últimos 20 cetros nacionais possíveis.Pinto
da Costa, de 82 anos, renovou o mandato em abril de 2016, registando
79% das preferências de 2.403 associados e 504 votos nulos sem
concorrência nas urnas, que fixaram o triunfo eleitoral mais magro no
século XXI, depois da imposição do regime de 'fair-play' financeiro pela
UEFA, em função das sucessivas contas negativas do clube.Envolvido
na luta pela reconquista da Liga e da Taça de Portugal com o rival
Benfica, após a pausa motivada pela pandemia de covid-19, o líder
portista formalizou em 27 de maio uma recandidatura focada na
remodelação administrativa, desportiva e financeira de uma instituição
com prejuízos de 52 milhões de euros no primeiro semestre de 2019/20.O
elenco diretivo mudou quatro dos 13 rostos e inclui os empresários José
Américo Amorim e Paulo Mendes, que substituem Eduardo Valente e Emídio
Gomes, enquanto o antigo guarda-redes Vítor Baía regressa para assumir a
pasta do futebol profissional e o ‘bibota’ e diretor de prospeção
Fernando Gomes passará a dirigir as camadas jovens.Em
negociações para a venda do ‘naming’ do Estádio do Dragão, Pinto da
Costa prometeu edificar a Cidade do FC Porto e manter modalidades
competitivas, sendo acompanhado por Lourenço Pinto (Mesa da Assembleia
Geral), Jorge Guimarães (Conselho Fiscal e Disciplinar) e o autarca
portuense Rui Moreira (Conselho Superior).Usufruir
da formação para aquilatar o plantel principal, reequilibrar o passivo
de 445 milhões de euros e conservar a posição maioritária na SAD são
ideais partilhados com Nuno Lobo e José Fernando Rio, apoiantes de um
sufrágio alheio à dívida de gratidão dos sócios que permita antecipar a
despedida anunciada do presidente ‘azul e branco’.O
jurista, de 52 anos, trabalhou como comentador no Porto Canal e na RTP3
e foi o primeiro a declarar a intenção de entrar na corrida eleitoral,
em 01 de março, propondo uma reestruturação da dívida, em cooperação com
os vice-presidentes Miguel Magalhães e Nuno Nunes, assente na redução
da folha salarial de jogadores e administradores.Sob
o lema “Mudar para Vencer”, José Fernando Rio quer reforçar a
representatividade nas instituições desportivas, centralizar direitos
televisivos e fortalecer o ecletismo graças à aposta no futsal, à
dinamização dos desportos femininos e à reativação do atletismo e do
voleibol masculino, amparado por uma nova academia e outro pavilhão.Apologista
de um clube com o mínimo de elementos comuns à SAD e sem trunfos
revelados para ajudar a comandar o futebol, o ex-gestor escolheu mais 12
diretores, além de André Navarro de Noronha (Mesa da Assembleia Geral),
José da Costa Veloso (Conselho Fiscal e Disciplinar) e Álvaro Teles de
Menezes (Conselho Superior).A
inexperiência no futebol e a inversão de rumo preconizada por José
Fernando Rio confundem-se com o programa de Nuno Lobo, de 50 anos, que
lança o mote “Sim, Somos Porto” para projetar uma academia, tetos
salariais na SAD e modalidades autossuficientes, abrangendo andebol e
futebol feminino, futsal e voleibol masculino.Entre
as 250 propostas do empresário, o último aspirante a entrar no
sufrágio, estão ainda um centro de estágio, a negociação dos direitos de
designação das infraestruturas, o crescimento até aos 150 mil sócios
pagantes, uma política expansionista de ‘merchandising’ e o
fortalecimento de elos com parceiros, adeptos e a própria cidade.Com
passado nas claques do FC Porto, Nuno Lobo deseja assumir a estrutura
do futebol e delegar poderes pelos restantes 12 diretores, contando
também com Franco Araújo Ramos (Assembleia Geral), António Nunes
(Conselho Fiscal) e José Martins Soares (Conselho Superior), até aqui o
único adversário de Pinto da Costa, em 1988 e 1991.Já
o movimento autónomo “Por um Porto insubmisso, eclético e triunfante”
(lista D) autoexcluiu-se desta invulgar votação e almeja a revitalização
do Conselho Superior, sob coordenação de Miguel Brás da Cunha,
sugerindo novas modalidades, alterações estatutárias e remunerações dos
corpos dirigentes ditadas pelo sucesso desportivo.Previstas
para 18 de abril e adiadas devido ao novo coronavírus, as eleições dos
órgãos sociais do FC Porto para o próximo quadriénio repartem-se entre
sábado e domingo, das 10h00 às 19h00 (menos uma nos Açores) para evitar a acumulação de
associados no Dragão Arena.