Dois adeptos do Boavista acusados de agressões nos Açores pedem desculpa em julgamento
19 de mar. de 2019, 15:29
— Lusa/AO Online
Os cinco homens, três dos
quais em prisão preventiva em São Miguel, e que integram a claque
Panteras Negras, sendo um deles o líder, começaram a ser julgados pelo
Tribunal Judicial de Ponta Delgada, pela prática, em coautoria, de
crimes de ofensas à integridade física qualificada, dano e ameaça
agravada.Este caso remonta a 2018 e em
causa estão alegadas agressões a funcionários e ao proprietário de um
restaurante no concelho de Ponta Delgada, na véspera do jogo de futebol
entre o Santa Clara e o Boavista, que decorreu na ilha de São Miguel, em
agosto.Entre os arguidos está ainda um
agente principal da PSP e um segurança privado, que pediram que o
julgamento decorresse sem a sua presença.Presentes
hoje estiveram o líder dos Panteras Negras e outros dois elementos que
integram aquela claque, os três detidos preventivamente.Em
audiência de julgamento um dos arguidos, que terá dado início à
discussão relacionada com a suposta demora no atendimento, pediu
desculpa e disse estar “arrependido”, mas frisou que “nem tudo” o que
consta da acusação “é verdade”.Salientando
que "há anos" que acompanha a claque, o arguido disse que deu "dois
socos na cara" ao funcionário depois de este lhe ter "atirado com
pratos" pelo facto de o adepto do Boavista ter interpelado o empregado
com "um toque no ombro"."Estava tudo calmo
e a confusão só se deu após palavras entre nós. Depois, aquilo foi tudo
muito rápido", explicou, acrescentando que os dois depois envolveram-se
fisicamente, tendo o arguido ficado “desorientado”.O
homem, que confirmou que no grupo dos cinco adeptos do Boavista estavam
“mais quatro pessoas da ilha”, relatou que após "a confusão" que se
gerou não se lembra de mais anda, assegurando que foi o líder da claque
que disse para “pararem".Contudo, o
Ministério Público sustenta que as agressões apenas terminaram quando o
líder da claque, "após assobiar para os demais arguidos", ter feito "um
gesto com as mãos, colocando-as em forma de “T” - que no desporto tem o
significado de intervalo/pausa - e, em tom de voz alto, ter dito “já
chega”.O texto da acusação descreve uma
sucessão de alegadas agressões (“socos e pontapés”) a funcionários do
restaurante "em ato contínuo, no âmbito da atuação conjunta" dos
arguidos, apontando que foram arremessados objetos e peças de mobiliário
do restaurante. Hoje, em audiência de
julgamento, um segundo arguido, que integra a claque Panteras Negras, e
detido no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, pediu, emocionado,
desculpa aos ofendidos, admitindo que ele e os seus amigos se
"excederam".Este homem confirmou algumas agressões a dois empregados do restaurante, mas rejeitou que tenha arrastado um funcionário.Seis
meses após o sucedido, o arguido frisou que está arrependido e que a
sua família também "está a passar mal" devido à situação.Já o líder da claque alega que apenas tentou "acalmar os ânimos" e que foi "o som de pratos a partir" que lhe chamou a atenção.“Tentei
separar. Era uma confusão total. Era eu que estava a separar aquilo
tudo”, reforçou, descrevendo: "olhei à volta e vi os nossos e outros que
não conheço".O líder da claque recusou ter feito alegadamente sinais para os outros arguidos, enaltecendo a postura dos Panteras Negras."O nosso registo fala por si. Na Madeira recebemos o prémio de melhor claque do país", sustentou.A próxima audiência de julgamento está marcada para segunda-feira, onde serão feitas as alegações.O
MP aponta o contexto da atuação dos arguidos, a gravidade das condutas e
as lesões decorrentes das mesmas, bem como os antecedentes criminais
dos homens."Os arguidos agiram em comunhão
de intentos e em conjugação de esforços, motivados meramente pelo que
consideraram ser um atraso injustificado do serviço do restaurante
(...), sustenta a acusação.