Doentes devem ser testados quatro semanas após primeiros sintomas

Covid-19

3 de set. de 2020, 10:49 — Lusa/AO Online

Os autores do estudo publicado na quarta-feira, radicados na região italiana de Emília-Romana [norte], alertaram que, segundo a sua investigação, o novo coronavírus “demora uma média de 30 dias a desaparecer do corpo após o primeiro teste positivo e 36 dias após os primeiros sintomas”.Segundo noticia a agência noticiosa EFE, os investigadores lembram, no entanto, que “ainda se desconhece até que ponto uma pessoa é passível de transmitir o vírus durante o período de convalescença”.E sublinham ainda que “é relativamente alta” a taxa de “falsos negativos” obtidos nos testes realizados durante as primeiras fases de recuperação do paciente.O estudo, liderado por Francesco Venturelli, da unidade de Epidemiologia do IRCCS de Reggio Emilia, defende que é importante realizar novos testes passado o período de pelo menos quatro semanas, para minimizar o risco de contágio de propagação da covid-19.E aconselham que, uma vez estabelecido quanto tempo demora o vírus a desaparecer do corpo humano, deve modificar-se o período de isolamento recomendado para pessoas com ou sem sintomas, que é atualmente de 14 dias, fixado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).Para chegarem a estas conclusões, a equipa de investigadores analisou a evolução de 4.480 habitantes de Reggio Emilia, uma das zonas de Itália mais afetadas pela pandemia, que testaram positivo para o novo coronavírus entre 26 de fevereiro e 22 de abril.Deste grupo de pacientes, 428 pessoas morreram, 1.259 foram consideradas livres do vírus durante o período em que se promoveu o estudo, com pelo menos um teste negativo após um positivo inicial.O período médio para registar a ausência de vírus após o primeiro positivo foi de 31 dias, assinalaram os investigadores.A equipa de investigação realizou uma segunda prova a 1.162 pacientes nos 15 dias após o primeiro diagnóstico positivo, 14 dias após o segundo teste e nove dias após o terceiro teste.O estudo demonstrou que alguns resultados negativos obtidos inicialmente era falsos, pois converteram-se em positivos nos testes seguintes, com um rácio de um falso negativo por cada cinco resultados negativos.Os autores da investigação defendem que realizar um teste 14 dias após o primeiro positivo leva “na maioria dos casos a obter o mesmo resultado” e regista-se ainda uma taxa “relativamente alta” de falsos negativos até três semanas depois.Visto os resultados indicarem que o período de infeção pode ser “muito longo”, os investigadores entende que, para evitar novos contágios, “o período de isolamento deveria ser aumentado, para 30 dias desde os primeiros sintomas, e que os pacientes deveriam ser submetidos no mínimo a um teste” antes de terminar a quarentena.