Doentes crónicos que não podem trabalhar em casa pedem proteção ao governo
3 de abr. de 2020, 16:24
— Lusa/AO online
De acordo com a plataforma,
que afirma representar mais de 50 associações de doentes, promotores e
utentes dos serviços de saúde, a nível nacional, há pessoas com doenças
cardiovasculares, bem como diabéticos, asmáticos e doentes oncológicos
cuja profissão não lhes permite trabalhar em casa.
"Como deixar de trabalhar é uma situação que acarreta problemas
financeiros para as famílias, é necessário proteger estes grupos de
risco, assegurando-lhe as devidas condições de segurança e de saúde até
que este problema esteja solucionado", defendeu a associação em
comunicado divulgado hoje, na sequência de ofícios enviados às ministras
do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e da
Saúde, Marta Temido. A estrutura
pretendeu, assim, alertar o governo para a situação e, ao mesmo tempo,
"pedir que, de acordo com a lei, seja possibilitado a estas pessoas o
isolamento profilático até ao fim da pandemia".
Na carta enviada às responsáveis governamentais, refere-se que estão
em causa "pessoas imunodeprimidas ou portadoras de doença crónica que,
de acordo com as orientações da autoridade de saúde, são consideradas de
risco", designadamente doentes hipertensos, diabéticos, doentes
cardiovasculares, portadores de doença respiratória crónica e com
problemas oncológicos. "Estas patologias,
como bem sabemos, não afetam só pessoas idosas já na idade da reforma.
Afetam também muitos cidadãos em idade ativa, que não podem prescindir
dos rendimentos do trabalho para a sua subsistência e do seu agregado
familiar", lê-se no documento. Segundo a
plataforma, está em causa "um grupo especialmente vulnerável", para o
qual a infeção por SARS-CoV-2 (o novo coronavírus que provoca a doença
covid-19) pode ser fatal ou deixar graves sequelas.
"A probabilidade de este grupo da população, ao ser contaminado,
carecer de internamento hospitalar, de ventilador e de cuidados
intensivos, é muito elevada", advertiu a organização.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou
mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 54.000
morreram.Dos casos de infeção, cerca de 200.000 são considerados curados.O
continente europeu, com cerca de 560.000 infetados e perto de 39.000
mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos. Itália é o
país do mundo com mais vítimas mortais: 13.915 óbitos, em 115.242 casos
confirmados até quinta-feira.Em Portugal,
segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se
246 mortes, mais 37 do que na véspera (+17,7%), e 9.886 casos de
infeções confirmadas, o que representa um aumento de 852 em relação a
quinta-feira (+9,4%).Dos infetados, 1.058 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 68 doentes que já recuperaram.Portugal,
onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de
março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março
e até ao final do dia 17 de abril, após o prolongamento aprovado na
quinta-feira pela Assembleia da República.